Introdução

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No dia 08 de março o mundo comemora o Dia Internacional da Mulher.

A ideia desta data surgiu através dos movimentos sufragistas provindos da Europa e dos Estados Unidos nos séculos XIX e XX, quais compreendiam a necessidade da mulher em ter mesmo destaque dentro do poder de decisão da sociedade no universo político. Desde então, ano a ano, vemos a construção de ações coletivas das mulheres em torno do dia 8 de março, o que cataliza possibilidades para projeção projeção das lutas feministas. 

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Fotografia: Estados Unidos, 1913. Sufragistas com em protesto com um cartaz dizendo: Eu gostaria que as madames pudessem votar.

Oficialmente, dia 08 de março foi oficializado como Dia Internacional da Mulher apenas em 1921. Contudo, diversos eventos levantaram a pauta da importância da valorização do sexo feminino. Em 1911, um incêndio causado na fábrica da Triangle Shirtwaist em Nova York causou a morte de 123 mulheres (e 23 homens) levantando o debate sobre as más condições de trabalho qual estas eram submetidas. Em 08 de março de 1917, 90 mil russas se manifestaram nas ruas por melhores condições de vida e trabalho para o gênero feminino.  Em 1977, o Dia Internacional das Mulheres foi instituído em pela Organização das Nações Unidas dentro do marco de formulação de uma agenda igualitária no sistema global de direitos humanos.

Direito ao voto, igualdade salarial, divórcio. A agenda da luta pela igualdade de gênero muito se modificou ao longo dos anos, fazendo com que diferentes reivindicações se adaptassem a diferentes contextos históricos, culturais e sociais conforme o mundo avançava.

Absorver a ideia de que a igualdade de gênero é uma ferramenta imprescindível para o desenvolvimento global é significativo. Nós, da Plataforma Rede Juntos, acreditamos que esta luta merece destaque expressivo nas políticas sociais implantadas ao redor do mundo.

É de tal forma que criamos a trilha Especial Dia da Mulher – Promover a Diversidade. Queremos levar a você, usuário da Rede Juntos, informações notáveis a respeito da igualdade de gênero e dar destaque a mulheres e políticas que estão sendo feitas ao redor do mundo para que essa agenda avance. 

Boa leitura! 

Rede Juntos

A inserção da mulher na política

GHJ

A participação da mulher no poder público tem sido pauta de diversos veículos ao longo dos anos. O motivo de tal alarde acerca do tópico pode ser apontado como a recorrente desigualdade da participação do gênero feminino dentro do ambiente político.

Segundo estudos do Global Women's Leadership Initiative, a percepção da população sobre a importância das mulheres na vida pública parece ter uma relação direta com o tipo de posições de liderança que as mulheres correspondem.  

Em países quais a população possui a percepção de que as mulheres correspondem à boas líderes e devem ter igual acesso aos empregos e à educação, as mulheres são mais propensas a entrar em uma variedade de áreas governamentais.

Da mesma forma, em países quais o público não crê na ideia que as mulheres devem ter um papel igualitário fora da vida doméstica, as mulheres tendem a servir majoritariamente em setores socioculturais de governo: saúde, educação ou ministérios femininos.

Países Suécia e Eslovênia são exemplos em que as atitudes positivas em relação às mulheres na vida pública resultam em mais mulheres líderes. É o que podemos observar no gráfico abaixo:

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Fonte: Global Women's Leadership Initiative.

Dados apurados no ano de 2017 pela ONU Mulheres em parceria com a União Interparlamentar apontam o Brasil como um dos países com maior dissemelhança de participação feminina dentro de órgãos parlamentares como o Congresso Nacional: o país despontou na posição de 154º dentro dos 193 países reconhecidos pelas Nações Unidas.

Países como Bulgária, França e Nicarágua lideram o ranking mundial das mulheres com cargos dentro de ministérios, correspondendo a mais de 50% de representantes femininas. Países como Ruanda, Dinamarca e a África do Sul alcançaram, respectivamente, em sétima, oitava e nona posições.

Já dentro do Congresso Nacional, economias emergentes como Ruanda, Cuba e Bolívia surpreenderam ao apontarem índices superiores em escala global. Tal relação pode ser observada no gráfico abaixo:

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Fonte: ONU Mulheres, 2017.

Em uma escala regional, o índice das Nações Unidas indica que a representação feminina nos parlamentos das Américas subiu consideravelmente – o índice atual de participação da mulher em aspectos parlamentares é de 25%, superando o contingente apontado em 2015, de 22,4%.

O índice global de participação política pode ser observado abaixo:

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Fonte: ONU Mulheres, 2017.

Na Ásia, o índice é de apenas 11%, enquanto na África as mulheres ocupam cerca de 19,7% dos cargos ministeriais. Os Estados Árabes possuem o menor índice de mulheres participando da política, com cerca de 9,7% dos cargos executivos liderados por esta, enquanto a Europa alcança o segundo lugar com índice de 22,5%.

No Brasil, para combater a baixa participação feminina no Congresso Nacional, foi criada a Lei nº 9.504/1997, que institui que ao menos 30% das vagas de cada partido ou coligação devem ser reservadas para candidatas mulheres.

É interessante observar, através dos dados levantados por ambas as instituições mencionadas, que a inserção da mulher no ambiente político tem avançado ao longo dos anos. Mas é necessário também apontar que os avanços, embora significativos, não podem ser considerados integralmente satisfatórios, uma vez que denotam a desigualdade de gênero em aspectos que vão muito além dos políticos.

Igualdade de gênero ao redor do mundo

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Você sabia que a Islândia é o país que está mais perto de alcançar a plena igualdade de gênero?

O dado mencionado acima foi levantado no Índice Global Gender Gap, realizado pelo Fórum Econômico Mundial em 2017. O estudo abrange 144 nações e considera o quão perto de alcançar a plena igualdade de gênero interna estas se encontram. É o nono ano qual o país nórdico figura o primeiro lugar da lista.O Brasil está em 90° neste levantamento, atrás de países como Cabo Verde, Myanmar e Kenya. 

A imagem abaixo ilustra os 15 países mais – e os 15 países menos – desenvolvidos no engajamento para redução de desigualdade entre os sexos. O índice é baseado em fatores como as prioridades econômicas, culturais e sociais da agenda política dos países em questão. 

Fonte:Global Gender Gap Report 2017
Fonte: Global Gender Gap Report, 2017.

O mesmo estudo estima que o mundo levará cerca de 217 anos para reduzir a igualdade econômica existente entre ambos os gêneros, além de 100 anos para diminuir a diferença geral entre todos os países que integram o ranking.

Estes dados traduzem tópicos globais como desigualdade salarial, introdução no mercado de trabalho, educação e participação ativa na política.

Para combater a questão da desigualdade salarial, o governo islandês implementou, em 2018, uma lei que legaliza a igualdade salarial entre homens e mulheres. Nesta, fica estipulado que empresas privadas e agências governamentais que possuam mais de 25 funcionários devem obrigatoriamente obter uma certificação governamental sobre políticas de igualdade de remuneração, estando submetidas a multas estatais caso tal certificação não seja adquirida.

No quesito educação, um levantamento da UNESCO divulgado em 2016 apontou a estimativa de que indivíduos do sexo feminino tinham duas vezes menos chances de ingressar na educação formal, jamais possuindo a oportunidade de aprender recursos educacionais básicos como ler e escrever. O mesmo estima que isso acontecerá com cerca de 16 milhões de meninas entre seis a dez anos – quase o dobro do índice estimado para o sexo masculino. 

Neste levantamento, a organização produziu um mapa no qual podemos observar os países quais a desigualdade de gênero na educação é uma realidade mais intensa. Os mesmos estão destacados em cores escuras na imagem abaixo:

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Fonte: UNESCO, 2016. 

No mapa produzido, é possível observar que regiões que englobam os Estados Árabes, a África Subsaariana e pequenas porções do continente asiático possuem maiores índices de desigualdade educacional do que demais áreas do globo. Os países destacados na cor cinza, entretanto, não possuem dados disponíveis acerca do tópico.

Estudos que remontam os cenários quais configuraram desigualdade de gênero ao redor do mundo frequentemente apontam alguns pontos como ocasionadores de tal, sendo estes: os contextos históricos, culturais, econômicos e sociais de um país. 

Países quais preceitos religiosos entornam as instruções de conduta da sociedade tendem a ter um olhar mais rigoroso acerca da imersão feminina dentro de esferas exteriores à doméstica. O mesmo padrão pode ser observado em estados com menor desempenho econômico ao redor do mundo. É possível remeter este padrão à falta ou insuficiência de incentivos para que medidas sociais sejam implementadas dentro de tais territórios.  

Barreiras socioculturais que impedem o gênero feminino de obter seu pleno acesso a todas as esferas da sociedade, estas que são aplicadas ao gênero masculino de maneira espontânea, devem ser analisadas e desfiguradas afim de garantir uma comunidade global igualitária.

 

Mulheres que inspiram

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Nós da Plataforma Rede Juntos acreditamos que a diversidade na política é imprescindível para criar uma sociedade igualitária. Neste 8 de março, queremos que os usuários de nossa plataforma conheçam dez líderes mundiais que fazem a diferença ao redor do mundo.

O Brasil ocupa, não por acaso, o 115° lugar em relação a 138 países no ranking que analisa a presença feminina parlamentar, elaborado pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI). com base no banco de dados primários do Banco Mundial e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tal indicador aponta a falta de representatividade da mulher dentro da política nacional, trazendo a reflexão de que a inserção do gênero feminino dentro do processo é, de fato, sucinta.

Leia mais: Mulheres na política, o TSE e as convenções internacionais (JOTA)

               

Para inspirar nosso país a fazer parte de um contexto diferente, trazemos uma lista de mulheres que também nos inspiram. São elas:

 

1 - Ellen Johnson Sirleaf

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A economista Ellen Sirleaf, além de ex-presidente da Libéria, foi vencedora do prêmio Nobel da Paz em meados de 2011. O motivo que a levou a receber tal distinção foi sua eleição dentro da Libéria, que além de representar a eleição ate então inédita de uma mulher como chefe de Estado na África, levou à queda do ex-presidente Charles Taylor, julgado por crimes contra a humanidade.  

 

2 - Theresa May 

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Theresa Mary May é atual primeira-ministra do Reino Unido, sendo a segunda mulher, depois apenas de Margareth Thatcher, a ocupar o cargo. May é considerada personalidade fundamental no processo de separação entre o Reino Unido e Europa e é frequentemente incluída em rankings que apontam as pessoas mais influentes do mundo.  

 

3 – Angela Merkel

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Angela Merkel é a atual chanceler da Alemanha, sendo o quarto mandato seguido qual ocupa este posto. Assim como Theresa May, é reconhecida por veículos como a Forbes como uma das mulheres mais poderosas do mundo, sendo colocada em primeira posição no ano de 2017. Merkel foi a responsável por harmonizar a Alemanha durante o período de crise econômica na Europa. Merkel tem uma trajetória inusitada. Licenciou-se em Física na Universidade de Leipzig e concluiu doutorado em física quântica em 1978. Começou a trabalhar nesse mesmo ano na Academia de Ciências de Berlim, mais especificamente no Instituto de Química e Física, onde se manteve até 1990 , quando foi eleita como deputada para o Bundestag.

 

4 – Michelle Bachelet

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A médica Michelle Bachelet foi a primeira mulher presidente do Chile, eleita em 2006. Michele governou o país de 2006 a 2014 e retornou ao cargo em 2014, em uma vitória representativa da história democrática do país. Bachelet é frequentemente descrita na mídia e na política internacional como uma líder pública que luta ativamente pelos direitos das mulheres. Apesar de ter enfrentado momentos de rejeição durante seu mandato, é atualmente lembrada como uma das líderes mais populares do país.

 

5 – Hilda Heine

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A professora Hilda Heine foi a primeira mulher a ser eleita como chefe de Estado das Ilhas Marshall, país oceânico que foi administrado pelos Estados Unidos até 1986. Heine foi a primeira cidadão das Ilhas Marshall a obter o grau de doutorado e luta pelos direitos das mulheres, tendo fundado o órgão Women United Together Marshall Islands.

 

6 – Tsai Ing-Wen

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A atual presidente de Taiwan, Tsai Ing-Wen, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente do país. Venceu as eleições presidenciais no ano de 2016 com a maioria de 59% dos votos dos cidadãos do país e tem como objetivo firmar, internacionalmente, o reconhecimento da independência de Taiwan em relação à China.

 

7 – Joyce Banda

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Joyce Banda foi presidente do país africano Malawi, correspondendo à posição de terceira mulher a alcançar o cargo de chefe de Estado da África. Participou de movimentos feministas e engajou-se durante sua vida enquanto política para radicar a fome no continente africano.

 

8 – Simonetta Sommaruga

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Simonetta Sommaruga é uma dos sete ministros que estão no Conselho Federal da Suíça, sendo chefe do Departamento Federal de Justiça e Polícia. A Suíça não possui chefe de governo e possui o Conselho Federal como órgão máximo do país. É uma das duas únicas mulheres que compõe o Conselho, tendo ao lado Doris Leuthard.

 

9 – Sheikh Hasina

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Sheikh Hasina, atual primeira-ministra de Bangladesh, é filha do fundador do país, Sheikh Mijibur Rahman. Hasina foi exilada após o assassinato de seu pai durante um golpe de Estado realizado em 1975, contudo, subiu ao poder em eleições realizadas em 1996.

 

10 - Helen Clark

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Helen Clark foi a segunda mulher a ocupar o posto de primeira-ministra da Nova Zelândia. A ex-primeira-ministra ocupou diversos cargos políticos antes de se tornar chefe de Estado, dentre quais, a posição de membro do parlamento neozelandês. Helen comandou o Programa da Onu para o Desenvolvimento (PNUD).  

Brasil: Cenários e desafios

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Em 2017, o Brasil alcançou a 10ª posição dos “lugares mais perigosos para mulheres viajantes” conferido pela International Women’s Traveler Center. Na frente do Brasil estão, em ordem de colocação: Turquia, Rússia, Venezuela, Egito, Índia, México, Arábia Saudita, Quênia e Colômbia.

Os dados indicam que o Brasil segue sendo um dos países cuja igualdade de gênero possui maior defasagem em relação a demais países.

Em um relatório levantado pelas Nações Unidas em 2017, o Relatório sobre Desenvolvimento Humano, o Brasil circula com um país cujas condições de vida para o sexo feminino não são favoráveis: recebendo cerca de 25% menos do que os homens em trabalhos semelhantes aos deles, as mulheres também repetem a lógica da desigualdade ao serem vítimas de violência. Em levantamento do SUS, são registradas uma denúncia de violência contra a mulher a cada 7 minutos.

Na imagem abaixo, constam índices comparativos entre Brasil e outras nações acerca de tópicos como mortalidade materna, participação na política e participação no mercado trabalho:

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Fonte: ONU, 2017.

Neste mesmo levantamento, é apontado que o gênero feminino vem em primeiro lugar apenas em dois aspectos: escolaridade e expectativa de vida. A média de escolaridade feminina é de 8,1 anos, enquanto a média masculina é de 7,5 anos. A expectativa de vida feminina, entretanto, dispara em 78,5 anos, enquanto a masculina é de 71 anos.

Apesar dos índices de expectativa serem positivos, outro relatório das Nações Unidas, o Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres – Feminicídios, aponta o Brasil em quinto lugar como o pais que mais mata mulheres.

Os índices alarmantes denotam a ideia de que o Brasil é, de fato, pertencente ao grupo de países que desfavorecem a autonomia feminina fora do âmbito doméstico. E que existem motivos para que nosso país constantemente figure rankings sobre piores países no mérito da igualdade de gênero.

Agendas políticas que pouco favorecem a mulher, bem como a falta de representatividade do sexo feminino dentro do ambiente de tomada de decisões políticas, configuram tópicos que auxiliam para que a desigualdade de gênero se sustente dentro do Brasil.

Há diversos fatores que poderiam modificar tal cenário, como políticas que fomentem a inserção da mulher em um ambiente equitativo de trabalho e agendas que visem a preservação da segurança feminina no Brasil.

Contudo, para que estes fatores sejam alterados, se faz necessário compreender primariamente que a realidade da mulher no Brasil é agressiva – e que deve ser debatida regularmente em todos os eixos possíveis.