Introdução | Especial Páscoa | Compreender Multiculturalismo e Religião

A Páscoa é, para os cristãos, o dia da ressurreição de Jesus. É um feriado que impacta nossa rotina, hábitos alimentares e até imaginário. O dia exato do feriado é definido como o primeiro domingo depois da primeira lua cheia, depois do chamado equinócio de outono (no hemisfério sul). Para os judeus, a Páscoa ou Pessach - que significa “passagem” em hebraico, - simboliza a saída do povo hebreu do Egito, onde viviam como escravos.  

Essa data é de tradição judaico-cristã e é celebrada por parcela significativa da população, aquecendo o comércio local periodicamente e emergindo preceitos da filosofia cristã dentro do Brasil. Em períodos como a páscoa, a religião se expressa como coeficiente influenciador dentro da sociedade, fomentando assim a afinidade do ser humano de elevar sua compreensão diante do desconhecido.

A religião foi e segue sendo objeto de estudo de campos como filosofia, ciência política e ciências sociais. O interesse em torno deste assunto pode ser remetido à percepção de que, independentemente de nossas crenças pessoais, todas as religiões remontam a história da humanidade. Elas nos levam à compreensão do quanto as civilizações foram moldadas através dos preceitos políticos e sociais que a fé ilustrou.

Para ilustrarmos a abrangência da religião dentro do cenário cultural, social e político ao redor do mundo, a Rede Juntos traz o Especial Páscoa – Compreender o Multiculturalismo. Muito além da polaridade entre as três crenças com maior número de adeptos, neste especial você poderá conhecer mais a respeito das religiões predominantes do cenário global e como elas atuam dentro de aspectos comportamentais das sociedades modernas. E poderá compreender, ao fim dela, os diversos aspectos que englobam o multiculturalismo religioso ao redor do mundo. E aí, vamos Juntos?

Desejamos a você, nosso usuário, uma boa leitura e uma feliz páscoa.


Rede Juntos

As Religiões do Brasil | O panorama religioso do país

Dados do Anuário Pontifício de 2017, pesquisa do Vaticano, apontam o seguinte resultado: o Brasil é hoje o país com maior número de católicos ao redor do mundo. O número estimado pelo estudo aponta que o país possui cerca de 172,2 milhões de católicos no país, representando 26,7% do total de católicos do continente americano.

Atrás do Brasil estão México (110,9 milhões), Filipinas (83,6 milhões), Estados Unidos da América (72,3), Itália (58,0 ), França (48,3), Colômbia (45,3), Espanha (43,3), República Democrática do Congo (43,2) e Argentina (40,8). A mesma pesquisa aponta que 17,7% da população mundial foi batizada como católica.

Apesar dos dados vigentes apresentarem o Brasil como um país majoritariamente católico, levantamentos atuais apontam uma redução expressiva dos números de fiéis católicos e um constante aumento de evangélicos dentro do país. Os motivos que levam a religião católica a sofrer expressiva evasão de fiéis são diversos e apontam um fator muito significativo: a população brasileira reflete o multiculturalismo do país.

Para se ter uma ideia do quanto o cenário religioso do Brasil modifica-se rapidamente, a cada dez anos o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realiza o censo da distribuição percentual da população brasileira de acordo com sua religião. A diferença dos resultados das amostras entre 2000 e 2010 indicam os seguintes resultados:

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Fonte: IBGE, 2010.

É necessário frisar que nos últimos sete anos o número aumenta ainda mais: pesquisas de 2017 levantadas pelo Instituto Datafolha indicam que o número de fiéis evangélicos no Brasil gira atualmente em 29% da população – sete pontos percentuais a mais do que o Censo 2010 (IBGE) registrou.

Apesar de não existirem, por ora, levantamentos oficiais que apontem os recorrentes dados a respeito da situação religiosa atual do Brasil, pesquisas paralelas sugerem que o atual perfil religioso do brasileiro é flexível: 44% dos questionados seguiam simultaneamente mais de uma religião e 49% não eram adeptos à religião de nascença. Nesta pesquisa, apenas 10% dos entrevistados disseram considerar seus votos políticos a partir de preceitos condizentes à religião.

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Fonte: O Globo,2017.

No ângulo de crenças e convicções, crenças místicas mostraram-se naturalizadas dentro do país: quase 51% dos entrevistados alegaram já ter sentido a presença de alguém que morreu, enquanto 41% alegaram ter tido contato visual com alguém que já havia morrido. Cerca de 50% dos entrevistados acreditam em reencarnação e 30% alegaram já ter escutado uma manifestação auditiva de alguma pessoa já morta. Entre as demais crenças questionadas há a aceitação da astrologia, a existência de extraterrestres e a convicção de que existam, de fato, impulsos intuitivos que auxiliem o ser humano a compreender seu futuro.

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Fonte: O Globo, 2017.

A mesma pesquisa não-oficial que apontou a apreciação da população brasileira a crenças espirituais indica que crenças como o espiritismo kardecista e práticas espiritualistas (como umbanda, candomblé e semelhantes) obtiveram um expressivo aumento no número de adeptos nos últimos sete anos. Paralelamente, práticas católicas e protestantes tiveram decréscimo em seu número de adeptos, assim como o número de pessoas que se declaravam sem religião.

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Fonte: O Globo, 2017.

Por fim, é possível dizer que esta dessemelhante combinação de religiões presentes dentro de um mesmo país é resultado do pluriculturalismo e miscigenação de etnias, percepções religiosas e contextos históricos qual o Brasil é fundamentalmente reconhecido. A pluralidade religiosa brasileira representa as diversas facetas culturais que formulam toda uma nação marcada pela diversidade.  

 

As religiões do mundo | Muitos povos, muitas crenças

Você sabia que é estimado que existam mais de 4.000 religiões ao redor do mundo?

Provenientes dos mais diversos tamanhos, contextos culturais e históricos, as religiões possuem diferentes perspectivas acerca da essência da vida. No recorrente nó iremos apontar quais são as maiores religiões que existem ao redor do mundo, qual é a estimativa de seguidores destas e em que recorte geográfico atuam.

1º Lugar: Cristianismo

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Fonte: The Huffington Post, 2011.¹

O cristianismo, formado pelo conjunto de religiões que acreditam em Jesus Cristo é o Messias profetizado pela Bíblia, é uma religião abraâmica que corresponde à maioria da população mundial (cerca de 2,2 bilhões de fiéis). Dividido majoritariamente em três vertentes (Igreja Católica Romana, Protestantismo e Igreja Ortodoxa Oriental), o cristianismo remete a uma das crenças mais antigas do mundo e possui como líder mundial o bispo de Roma, o Papa.

2º Lugar: Islamismo

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Fonte: The Huffington Post, 2011.¹

O islamismo é formado pelo conjunto de religiões que acreditam nos ensinamentos de Maomé, o profeta de Deus. Assim como o cristianismo faz o uso da Bíblia como escrito sagrado, o islamismo utiliza o Alcorão para nortear os preceitos culturais de seus seguidores muçulmanos. Apesar de ser uma religião árabe, é estimado que 1% da população norte-americana seja muçulmana, enquanto 10% da população europeia se declara como tal. Estimativas apontam que o islamismo é, atualmente, a religião que mais cresce no mundo.¹

3º Lugar: Secularismo

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Fonte: The Huffington Post, 2011.¹

Apesar de não ser uma religião, o secularismo – termo correspondente a pessoas que se declaram sem religião ao redor do mundo – desponta em terceiro lugar com maior número de pessoas identificadas. Atualmente existem cerca de 1,1 bilhão de pessoas autodeclaradas sem religião ao redor do mundo.

3º Lugar: Hinduísmo

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Fonte: The Huffington Post, 2011.¹

O hinduísmo ocupa o 3º lugar na lista de religiões com maior número de adeptos ao redor do mundo. É dividido em diversas religiões monoteístas e tem como país de surgimento a Índia. Trata-se de uma religião politeísta e possui vários deuses como objeto de adoração pelos seus adeptos. Atualmente é estimado que existam cerca de 900 milhões de seguidores ao redor do mundo, não limitando sua expressão geográfica ao continente asiático.

4º Lugar: Budismo

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Fonte: The Huffington Post, 2011.¹

O budismo é uma religião indiana dividida em três grandes vertentes: theravada, mahayana e vajrayana. Foi fundado por Sidarta Gautama, o Buda, por volta do século VI a.c. Entre suas práticas e crenças mais conhecidas estão a meditação, a questão do carma – causa e efeito e a ideia do renascimento. Apesar de se tratar de uma religião asiática, o budismo foi adotado por diversas minorias ao redor do mundo e possui cerca de 376 milhões de seguidores autodeclarados.

5º Lugar: Religião Tradicional Chinesa

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Fonte: The Huffington Post, 2011.¹

“Religião tradicional chinesa” é o termo utilizado para designar as religiões que possuem suas normas éticas e comportamentais baseados em crenças chinesas como confucionismo, budismo, taoísmo e mitologia chinesa. Ela compreende, atualmente, cerca de 400 milhões de adeptos e é manifestada majoritariamente no continente asiático.

 

Religiões médias

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Fonte: Conexão CPB.¹

Além das maiores religiões existentes no mundo hoje, configuradas pelas 5 mencionadas acima, existem dezenas de religiões de médio porte que acumulam seguidores através dos continentes. É o caso das religiões mencionadas acima como Wicca, Neopaganismo, Espiritismo, Judaísmo, Xintoísmo, Sikshimo e as não mencionadas como Zoroatrismo, Movimento Rastafari, Seicho-no-ie e Cao Dai.

É interessante observar que as religiões mundiais, embora coexistam no mesmo tempo e espaço, foram apontadas ao longo da história como pretextos culturais para ações de guerra, ocupações territoriais e conflitos em geral. Isso ocorre porque a influência da questão religiosa é expressiva e acompanha não apenas os padrões sociais de uma população, mas também as diretrizes políticas quais esta se insere.

De tal forma, podemos considerar significativa a ideia de compreender e respeitar o multiculturalismo qual toda a conjuntura global está situada. Este mecanismo de compreensão e validação de diferenças culturais pode ser um dos fatores que auxilie a comunidade global a manter manutenção da paz ao redor do mundo. 

Carta do Especialista | Tolerância e intolerância

Profa. Dra. Deborah Hornblas Travassos

Em 2018, a Semana Santa coincide com a Páscoa Judaica. É curioso notar que ao contrário da língua inglesa que refere-se a essas duas festas religiosas com palavras diferentes, Easter, que festeja a ressurreição de Cristo e Passover que celebra a saída dos Hebreus do cativeiro do Egito. Em português as duas efemérides recebem o mesmo nome: Páscoa.

Este pequeno artigo não irá explorar questões relativas à religião, mas tentará investigar, mesmo que rapidamente, o problema da intolerância religiosa no Brasil e apontar fatos sobre atos violentos cometidos contra religiões de matriz africana.¹

O Brasil é um país plural quando se trata de pertença religiosa? A resposta a essa pergunta é provavelmente não: Ainda hoje o país é basicamente cristão, mas se anos atrás havia uma quase hegemonia do catolicismo, esse panorama vem sofrendo uma rápida transformação.

Dentro das religiões majoritárias cristãs que existem no Brasil, segundo dados publicados pelo instituto de pesquisa Datafolha em 2016, o número de católicos está estimado em cerca de 50% da população, sendo que em 1994 perfaziam 60%, o que representa a perda de 20 milhões de fiéis, o tamanho da população da cidade de São Paulo. O recuo se deu pelo avanço das denominações pentecostais e neopentecostais que atualmente representam cerca de 25% da população. Já as religiões de matriz afro, como o Candomblé e a Umbanda, segundo o último censo de 2010, só contam com cerca de 0,3% de seguidores.

A intolerância religiosa é considerada crime no Brasil, de acordo com a lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Segundo a Constituição Federal, o Brasil é um Estado laico, isso significa que legalmente deve haver liberdade de culto para todas as religiões.

Mas, será que de fato essa lei é respeitada? Vamos a alguns fatos recentes: Em 2015 um Terreiro de Umbanda, localizado na Zona Leste de São Paulo, foi apedrejado. Em fevereiro de 2017, O Centro de Umbanda Oxum Apará, no bairro de Piatã, em Salvador, sofreu um ataque durante uma festa beneficente, que acabou deixando três pessoas feridas.

Os dois casos a seguir ocorreram em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense em 2017. Em agosto a Sra. Maria da Conceição Cerqueira da Silva, uma praticante idosa do Candomblé foi agredida a pedradas, e de acordo com seus familiares essa violência foi praticada por conta da sua religião. Em setembro, uma mãe-de-santo de um terreiro de Candomblé, foi obrigada a destruir objetos de sua fé sob a mira de um revólver.

Em Jundiaí, município de São Paulo, em agosto de 2017, uma casa de Candomblé foi incendiada, a polícia ainda investiga o crime. Segundo dados do Ministério Público Estadual da Bahia (MPE-BA), em 2016 houve um aumento de 300% de denúncias de intolerância religiosa comparado ao ano anterior. Dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos em janeiro de 2017, confirmam: foram 697 ocorrências por intolerância religiosa entre 2011 e 2015, a maioria contra religiões de matriz africana.

Partindo de uma rápida incursão histórica que nos ajude entender como a intolerância religiosa tomou a sua forma atual no Brasil, podemos começar dizendo que durante muito tempo a religião Católica trazida pelos colonizadores portugueses foi hegemônica no país.

Países que fundaram sua ética no cristianismo, seja católico ou de outra matriz cristã, tendem a manter resquícios de uma moralidade ancorada nos preceitos bíblicos. Assim, persiste tanto na esfera pública quanto na privada, uma moralidade dicotômica, onde o bem são os fundamentos pregados por Cristo, enquanto que o mal, seria tudo aquilo que não é cristão.

O conhecimento religioso parte de preceitos de fé, que não devem e não podem ser questionados. No século XIX quando, no caso brasileiro, o catolicismo era onipresente, não havia tensões. Todas as crenças de base africana e espírita eram simplesmente eram ilegais e assim, se resolvia o problema. Contudo, com o fim da preponderância católica e a declaração que o Estado brasileiro é laico, todas as religiões passaram a garantir seu direito de culto. As religiões afro que antes eram proibidas e ficavam ocultas em seus espaços privados, passaram a ganhar uma maior visibilidade, e do encontro dessas religiões diferentes, surgiram os atritos e as consequentes fissuras.

Em um mundo em que as religiões, ao contrário, do que pensavam os positivistas lá do século XIX, não foram parar apenas na esfera privada, os focos de intolerância ficam cada vez mais nítidos.

Segundo Paula Montero, o campo de estudos das religiões passa a enfrentar o desafio político e ideológico de ter de reconhecer a legitimidade cultural e política das múltiplas tradições não-cristãs tidas até muito recentemente como primitivas, supersticiosas ou simplesmente falaciosas. 

Apesar do Brasil se declarar um Estado laico, podemos atentar para alguns fatos em que a presença do cristianismo ainda permanece explícita:  O Deus cristão é citado na Constituição², crucifixos decoram salas do judiciário³, feriados religiosos cristãos, como Natal, Páscoa e Corpus Christi fazem parte do calendário oficial. A população, não refuta a presença desses símbolos e se sente representada pelo cristianismo.

O Brasil passou por uma mudança em sua conformação religiosa nas últimas décadas, porém, não se percebe uma diversidade de fato, a população permanece em sua maioria e na sua essência cristã, ou seja, dentro do imaginário do bem-fazer, os brasileiros se veem como bons cristãos. Assim, sempre que alguma religião não-cristã se manifesta publicamente, ela faz uso de uma estratégia de hibridização ao cristianismo. Desta forma, a população considera aceitável e até louvável exemplos como a lavagem das escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim (Salvador- BA) por adeptas do candomblé, ou ainda a procissão de Nossa Senhora da Conceição (BA), que além de se referir a Maria, mãe de Jesus, também faz alusão à Orixá Iemanjá. Em contrapartida o sacrifício de animais nos terreiros e a possessão, rituais esses que não encontram referências no cristianismo, são interpretados como demoníacos, e portanto, devem ser rechaçados.

Podemos assim concluir que os ritos africanos, são tolerados, quando são tratados apenas como identidade nacional, se transformando em atrativos turísticos ou festividades populares, mas quando entram na esfera da fé, há uma clara tendência de recusa e negação por parte da população em geral.

Dentre as possibilidades que têm produzido um aumento da intolerância no Brasil, está também o crescimento das denominações pentecostais de todas as gerações, é clara a tensão que assistimos entre grupos evangélicos e os candomblecistas e/ou umbandistas.

Não cabe a este artigo explorar com a profundidade necessária essa questão. Porém, preliminarmente, podemos dizer que as religiões pentecostais separam o mundo, de maneira maniqueísta entre o bem e o mal, e é função de um bom cristão ser um guia espiritual e não permitir que o mal se dissemine.

Os movimentos pentecostais no Brasil podem ser divididos em fases: a primeira no início do século XX é o período de enraizamento, a segunda fase entre 1950 e 1960 as igrejas pentecostais, passam a dar ênfase ao dom da cura, a conversão e o proselitismo, já a terceira fase iniciada na década de 1970, é o início do chamado neopentecostalismo, caracterizado em linhas gerais pelo abandono do ascetismo, pragmatização da vida e ênfase na Teologia da Prosperidade, além da centralidade da batalha espiritual contra as religiões afro-brasileiras.

Por fim, a negação e a intolerância também estão calcadas, não nas questões da fé, mas sim no preconceito racial. Historicamente os terreiros de Candomblé e as casas de Umbanda sempre foram frequentados pelos negros e pelos pobres. Esses rituais religiosos são vistos por parte da população brasileira, como primitivos e supersticiosos. Se essas religiões não tem adeptos (ou tem poucos) na elite branca, perdem sua força e ficam expostos à violência

Após essas breves considerações, podemos concluir, mesmo que preliminarmente, que de fato, o Brasil não pode ser considerado país de pluralidade religiosa e de tolerância expressiva. Os caso de violência, principalmente contra as religiões de matriz africana se avolumam e dificilmente podemos prever até que ponto esses ataques poderão chegar.

 

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  • Observações: 

¹. Em tempo, esse pequeno texto se ateve a apenas duas religiões de origem africana: O Candomblé que mantém a crença nos Orixás e o uso da língua iorubá e a Umbanda que é uma religião notadamente brasileira, que hibridiza elementos africanos, católicos, indígenas e do espiritismo europeu. Essas religiões são politeístas com conceitos éticos, muitas vezes, bem diferentes das religiões monoteístas de raízes judaico-cristãs.

².  “Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.

³. Após quatro anos, os crucifixos e símbolos religiosos agora podem ser recolocados nos prédios do Judiciário do Rio Grande do Sul. A decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), publicada neste mês, reforça que a presença de tais imagens nos tribunais não prejudica o Estado laico ou a liberdade religiosa.

 

 

  • Referências Bibliográficas: 

SILVA, V.G em TEIXEIRA, F e MENEZES, R. As religiões no Brasil, continuidades e rupturas. Vozes: RJ, 2006, p.209

MONTERO, Paula. Controvérsias religiosas e esfera pública: repensando as religiões como discurso. Acesso em 25 de março de 2018

BIRMAN, Patrícia. Cruzadas pela paz: práticas religiosas e projetos seculares relacionados à questão da violência no Rio de Janeiro. Acesso em 25 de março de 2018.

Políticas públicas para combater a intolerância religiosa

No Brasil, a Lei nº 9.459 de 1997, tem como objetivo assegurar ao cidadão a não-discriminação acerca de sua crença religiosa. Esta lei garante que a prática de hostilidade em volta do credo religioso pessoal de um cidadão é considerada crime, tendo pena definida como reclusão de um a três anos e aplicação de multa.

Entretanto, é necessário relembrar que apesar da propensão religiosa no Brasil ser um fator garantido por lei, o país registra cerca de 1 denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas. Estes dados foram trazidos pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH) no ano de 2017 e remetem as seguintes religiões como as doutrinas que sofrem preconceito em maior escala dentro do país:

 

Religião das vítimas de preconceito religioso

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Fonte: Estadão, 2017.

 

Como pode ser visto acima, lideram o ranking de denúncias as religiões de origem africana como umbanda e candomblé. Normalizam-se, então, ameaças físicas a templos que configuram um padrão claro que norteia não apenas países como o Brasil: a dificuldade da sociedade em conviver com a diversidade religiosa.

Em meados de 2010, a França impactou o mundo quando o senado do país proibiu mulheres muçulmanas a usarem publicamente burca e nicabe, véus islâmicos que ocultam o rosto das mulheres. Na verdade, a lei levantada durante presidência de Nicolas Sarkozy proibia os cidadãos franceses em sua totalidade de esconderem o rosto em público – fosse pelo uso de lenços, máscaras ou capacetes de motos – mas atingiram sobretudo a população de origem muçulmana que reside no país.

Na época, a justificativa do órgão francês ao aplicar tal lei era de garantir “mais segurança” à população, discurso que causou controvérsia ao redor do mundo. A França hoje abriga mais de 5 milhões de muçulmanos – maior população de fé islâmica da Europa Ocidental – e configura um dos países com maiores índices de islamofobia xenofobia voltada para seguidores do islã) no cenário mundial.

O continente europeu por si só parece ascender esta tendência politicamente. Fatores como atentados terroristas na Europa e a crise migratória que atinge o continente desde a Segunda Guerra Mundial impulsionaram movimentos políticos e sociais contrários à população islâmica no território. Países como França, Bélgica, Alemanha e Reino Unido remontam movimentos políticos ultranacionalistas de extrema-direita que são contrários à população muçulmana no continente europeu.

Na imagem abaixo, é possível visualizar a foto um protesto contra imigrantes islâmicos na Polônia. O protesto foi feito em 2016, em Varsóvia, e foi organizado por um partido político polonês chamado Movimento Nacional. Na placa constava a seguinte frase “Imigração, islã, charia, terror".

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Fonte: DW, 2016.

Entretanto, não é apenas o ocidente que coexiste com conflitos internos causados por diferenças religiosas. No Iraque a tensão interna é causada por grupos militantes xiitas e sunitas (grupos muçulmanos) e já impulsionou na morte de 70 mil pessoas entre 2004 e 2011 dentro do país.

É possível afirmar que conflitos religiosos e manifestações de intolerância podem ser considerados fatores responsáveis por promover cenários caóticos que corrompem a sociedade em sua totalidade. A intolerância religiosa não apenas cria barreiras sociais em relação aos cidadãos – ela também naturaliza gerações inteiras que não conhecem o mundo sem conflitos armados e equilíbrio entre as nações.

O que é um Estado laico?

Estado laico é aquele que oficialmente separa Estado de religião. O Brasil é um Estado laico assim como Estados Unidos, Japão, Canadá, Áustria e África do Sul.

Nossa constituição de 1988 diz no seu artigo 19, inciso I:

“É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.”

O laicismo  pode ser definido, consequentemente, como uma doutrina que defende a ideia de que a religião não deve ter influência diante de assuntos políticos de uma nação. Esta doutrina filosófica ganhou maior expressão na Revolução Francesa (1789-1799), sendo este conflito considerado um dos patronos da doutrina laica.

A referência acerca da separação entre igreja e estado não é contemporânea.

Segundo estudo levantado pelo portal Politize!, o Estado laico é uma das quatro doutrinas político-religiosas que regem o cenário global. Além desta diretriz, existem as seguintes: estados ateus, estados confessionais e estados teocráticos. Na imagem abaixo é possível observar alguns países e a formação político-religiosa que estes formalmente adotam:

 

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Fonte: Politize, 2017.

 

Embora nosso país seja majoritariamente católico, o Brasil é um Estado laico. Contudo, é fato publicamente divulgado que dentro de nosso cenário político existem inúmeros fatores religiosos, não apenas católicos, que induzem o poder decisório. A bancada evangélica, por exemplo, configura uma parcela da câmara de deputados que articula algumas suas decisões políticas com base em suas crenças religiosas.

Os temas quais alguns membros da bancada evangélica demonstraram oposição nos últimos anos são tópicos controversos, como: o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, a eutanásia e a legalização do aborto.

 

Cidades Religiosas e o Fomento ao Turismo Religioso

Segundo um levantamento publicado pela BBC, Norwich, é a cidade com mais pessoas que se declaram sem religião. Berlim, capital da Alemanha, foi chamada pelo jornal The Guardian de a “a capital ateia da Europa”.  E quanto ao resto do mundo? Por quais motivos essa avaliação importa?

A verdade é que descobrir quantas pessoas em uma cidade efetivamente creem em Deus ou não é uma tarefa complicada. Em territórios controlados ou influenciados pelo Estado Islâmico os “não fieis” declarados sofrem riscos.  Mas, de forma simples e sem questionar a fé individual dos cidadãos, podemos afirmar que as chamadas cidades religiosas atraem milhões de pessoas ano a ano.  

Por motivos históricos e culturais, cidades religiosas ao redor do mundo são consideradas importantes polos turísticos religiosos do mundo, fomentando a economia local e fornecendo um ambiente qual fiéis podem expressar sua fé ou apenas conhecer a região. Muitas cidades são visitadas por turistas passantes, que apesar de não serem adeptos a religião local, desenham conhecer templos sagrados, festas religiosas e, em alguns casos, até participam de cerimônias.  Os números do turismo religioso são altos: estimativas do Ministério do Turismo apontam que só no Brasil o turismo religioso movimentou cerca de R$15 bilhões em 2014.

Abaixo estão algumas das cidades religiosas mais famosas do mundo, onde ano a ano milhares de turistas passeiam entre templos, igrejas, velas e incensos:

 

  1. Ouro Preto (Brasil)

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Uma das cidades mais importantes do Ciclo do Ouro no Brasil foi Vila Rica, atual Ouro Preto, localizada no estado de Minas Gerais. Ouro Preto é considerada um museu a céu aberto e possui algumas das igrejas com maior capital artístico do país, entre elas: São Francisco de Assis, a Matriz do Pilar, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, a Nossa Senhora do Carmo, a Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e a Capela do Padre Faria. Ouro Preto também é berço de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, importante escultor brasileiro que viabilizou umas série de obras em igrejas da cidade.

 

  1.  Kyoto (Japão)

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A capital do Japão Imperial é um centro religioso para budistas e xintoístas. Alguns dos principais pontos turísticos religiosos do local são os tempos Kiyomizu-dera e Kinkaku-ji, que recebem, respectivamente, 10 e 6 milhões de visitantes por ano. A cidade conta com quase 2 mil templos e é considerada o principal polo turístico do país.

 

  1. Jerusalém (Israel)

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Jerusalém é uma das cidades mais antigas do mundo. Curiosamente, a cidade é considerada sagrada por religiões abraamicas distintas: islamismo, judaísmo e cristianismo. A cidade de Jerusalém é marcada por uma série de conflitos históricos, tendo sido palco de mais de cinquenta conflitos ao longo da história. Atualmente Jerusalém é dividida entre as partes ocidental e oriental, tendo o território reivindicado como capital por palestinos e israelenses – últimos quais detém, oficialmente, a jurisdição da cidade. Foi estimado que Jerusalém tenha recebido cerca de 3,6 milhões de visitantes apenas em 2017.

 

  1. Meca (Arábia Saudita)   

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Situada na Arábia Saudita, Meca é considerada a cidade mais sagrada do islamismo. Segundo a tradição islâmica, Meca foi fundada pelos descendentes de Ismael – o primeiro filho de Abraão. É estimado que Meca tenha 13 milhões de visitantes por ano e o motivo deste alto número pode ser dado pela tradição do Hajj, a peregrinação islâmica que deve ser feita ao menos uma na vida de um muçulmano adulto com saúde e condições financeiras para fazer a visita.

 

  1. Varanasi (Índia)

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Assim como Jerusalém, Varanasi é uma das cidades mais antigas do mundo e é aferido pelo povo indiano que a cidade tenha sido fundada há cerca de 5.000 anos. Varanasi é reconhecida como uma das sete cidades sagradas da Índia e um dos motivos que levam ao reconhecimento da cidade indiana é o Rio Ganges, considerado sagrado para os hindus. A tradição hindu acredita que as águas do Ganges purificam os pecados e até mesmo curam doenças. Morrer próximo ao Ganges, na tradição, significa libertação da alma, o que leva hindus a jogarem o corpo dos mortos no fundo do rio.

 

  1. Cidade do México (México)

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A Cidade do México, capital do estado mexicano, possui diversas igrejas.Dentre elas está a Basílica de Guadalupe, centro religioso que recebe cerca de 20 milhões de visitantes por ano. Ponto importante da religião católica, a capital mexicana mescla tradições de outras crenças – como é o caso do Dia dos Mortos (comemorado dia 2 de novembro), celebração indígena que remete ao período anterior ao de chegada dos espanhóis. A cidade de Guadalupe, no mesmo país, também é considerada um polo turístico religioso.

 

  1. Santa Cruz (Brasil)

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A cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, abriga o maior monumento católico do mundo: a Estátua de Santa Rita de Cássia, que vislumbra estrutura de 56 metros. Maior que o Cristo Redentor e até mesmo a Estátua da Liberdade, a Estátua de Santa Rita foi fundada em 2010 e segmenta o turismo religioso na região. Autores como Gilmar Mendes e Sergio Marques Junior apontam os benefícios do desenvolvimento turístico como fatores que incentivam o município a cooperar com o turismo local, como o aquecimento da economia através de visitantes. 

 

  1. Santiago de Compostela (Espanha)

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Santiago de Compostela, cidade situada na Espanha, é um dos destinos de peregrinação cristã mais famosos do mundo, recebendo um pouco menos de mais de 250 mil peregrinos por ano. O Caminho de Santiago leva os fiéis católicos até a cidade de Santiago de Compostela, que abriga as relíquias de São Tiago Maior – apóstolo de Jesus Cristo.

 

  1. Lourdes (França)

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Na cidade de Lourdes, na França, a pastora Bernadette Soubirous alega ter testemunhado diversas aparições da Virgem Maria. A Igreja Católica estima que existiram cerca de 67 casos de cura milagrosa no santuário. Desde o século XIX Lourdes figura como um dos destinos religiosos mais visitados por peregrinos cristãos, tendo cerca de 8 milhões de visitantes por ano. A atração turística principal da cidade é o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes.

 

  1. Vaticano

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Fundada em 1929, a cidade do Vaticano é uma cidade-estado independente que atua como sede da Igreja Católica. O estado do Vaticano é o menor do mundo, tendo uma população estimada em cerca de 800 pessoas. É governada em modelo de monarquia totalitária pelo bispo de Roma, o Papa, o que significa que ele exerce os poderes executivo, legislativo e judiciário. Recebe mais de 6 milhões de visitantes por ano.

 

  1. Fátima (Portugal)

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Assim como a cidade de Lourdes, Fátima testemunhou aparições da Virgem Maria reportadas por pastorinhos locais e tornou-se um ponto de turismo para fiéis cristãos.  O ponto turístico principal da cidade é o Santuário de Nossa Senhora de Fátima e este recebe cerca de 5 milhões de visitantes anualmente. No aniversário das aparições de Virgem Maria (13 de maio e 13 de outubro) é realizada uma procissão com a imagem desta.

 

  1. Aparecida (Brasil)

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Localizada no estado de São Paulo, a cidade de Aparecida remonta sua história a partir do momento em que três pescadores encontram uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em um rio. O maior ponto turístico da cidade é a Catedral Básilica de Nossa Senhora Aparecida, tendo registrado 13 milhões de visitantes em 2017.

Carta do Especialista | A ritualização do ensinar: o legado de Pessach além da liberdade

A ritualização do ensinar: o legado de Pessach além da liberdade

Heloisa Pait

 

A destruição do Segundo Templo de Jerusalém no ano de 70 d.C. levou a uma enorme reconfiguração do judaísmo: a vida passou a se dar em torno de sinagogas espalhadas pelo mundo antigo onde rabinos interpretavam o livro sagrado, enquanto antes sacerdotes e juízes exerciam funções políticas e administrativas centralizadas em torno do templo. O ritual de Pessach, antes celebrado com o sacrifício de um animal seguido de um jantar festivo comemorando a libertação do Egito, passou a constituir-se numa refeição cheia de leituras e símbolos. A Hagadá, um livro contendo a narrativa do êxodo, assim como as instruções para o longo ritual, já existia e era copiada no século III, para que as famílias pudessem, em suas casas, organizar o jantar tal qual os rabinos prescreviam. Lembre que nesse época a alfabetização de todos os meninos era obrigatória entre os judeus, portanto sentados à mesa estariam vários participantes letrados.

Do antigo cordeiro sobrou apenas um osso, no centro da mesa, ao lado de outros alimentos simbólicos que fazem referência à experiência egípcia e às durezas da vida nômade que precederam a chegada à terra prometida. A grandeza do Segundo Templo, construído com a generosidade dos reis persas Ciro e Dario, onde eram feitas as oferendas da população judaica, foi substituída pelas mesas familiares onde a antiga narrativa seria passada de geração para geração. A Hagadá de quase 2 mil anos não é muito diferente da que famílias judaicas pelo mundo inteiro hoje seguem atualmente. E mesmo as brigas a respeito do modo como conduzir as rezas parecem ter se dado ontem, como hoje. Judeus seculares e estudados continuam celebrando essa festividade, talvez por tradição, pela ênfase na liberdade, pelo reforço da identidade ou por outra razão particular.

A reformulação mais fascinante da festa de Pessach foi a inclusão de perguntas feitas por hipotéticos 4 filhos para conduzir as explicações sobre a importância da festividade ao longo do jantar. Os filhos são retratados, nos estudos dos rabinos de então e na Hagadá, de modos distintos. Há um filho inteligente, que faz uma pergunta ampla sobre a festa e seu contexto: ele sabe o que perguntar e os adultos devem apenas saciar sua sede de saber. Há o filho rebelde, que faz uma pergunta sarcástica a respeito da festa, divorciado de seu significado: para esse, é importante lembrar que ele também é parte do drama egípcio, não é mero espectador. Há um terceiro filho simplório, que faz uma pergunta muito básica: para esse, o importante é ser claro na descrição do evento e sintético na explicação de seu significado. E, por fim, há um filho que não pergunta nada: ele precisa ser instado a se questionar a respeito daquele evento de que participa.

Vejam que virada dramática deram aqueles rabinos pioneiros dos séculos I, II e III. Os rituais viraram uma aula não apenas sobre um evento dramático da história de um povo, o que já nos bastaria, como diz uma canção desta mesma festa, mas uma aula sobre como ensinar! Os “tipos ideais” estudantis com os quais os pais e rabinos se deparavam não são tão diferentes assim de nossos filhos e alunos: temos que instigar uns e apenas responder a outros; temos que simplificar para uns e admoestar outros, não temos? A libertação dos judeus do Egito passa a ser a matéria da aula e o reforço da identidade judaica que a festa certamente propõe passa a se dar em torno do texto e da narrativa, o que não é exatamente novidade, já que o livro e a história sempre foram centrais na vida deste povo, mas também em torno do próprio narrar e ensinar.¹²³

Por que nessa festa os jovens fazem perguntas para os pais, poderia perguntar um quinto filho. E o pai responderia: porque cada um tem um modo de aprender a história, sem a qual ele não consegue se tornar um adulto pleno, e só sabemos como ensinar se cada jovem nos disser como podemos fazê-lo. Os rabinos, de modo deliberado, criaram um ritual não apenas de reforço da identidade judaica, necessária num momento em que haviam perdido o elemento concreto aglutinador de seu povo, o Segundo Templo, mas também de assimilação de uma história comum através da educação das novas gerações. Ritualizaram o aprender e associaram-no com a busca de uma vida autônoma e melhor: com os quarenta anos de errância no deserto.  Nessa festa de Pessach, devemos pensar portanto não só em sua própria simbologia, mas também no lugar que a educação ocupa em nosso sistema de valores, em nossos rituais, em nossas preocupações. Devemos também pensar até que ponto estamos ouvindo nossos estudantes a fim de podermos compreender qual papel eles precisam que nós, adultos, desempenhemos.

 

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