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Desafio

Valorização do Corpo docente e o cuidado com o corpo discente

Feitas as ponderações acerca dos desafios nos diversos níveis da educação, fica clara a importância do papel do trabalhador docente em toda a equação educacional. Entre todos envolvidos – gestão, direção, coordenação pedagógica, corpo docente - no processo ensino e aprendizagem, é no professor que o processo ensino e aprendizagem, de fato, acontece e, por conta desse protagonismo é necessário que se valorize o professor e que se profissionalize as redes de ensino.

De acordo com dados do governo, a média salarial dos professores da educação básica no Brasil corresponde a 72,7% da média salarial dos demais profissionais com formação equivalente e, no estado de São Paulo, corresponde a 63,8%. É importante destacar, entretanto, que, ainda que sumamente importante, o salário e o Piso Nacional são apenas alguns dos componentes que devem ser avaliados quando o assunto é valorização do docente. Outros fatores essenciais incluem o fornecimento de boas condições de trabalho, o que inclui:

  • Poder contar com escolas que tenham infraestrutura adequada para a realização das atividades;
  • Jornadas de trabalho adequadas, com tempo suficiente para ativadas de planejamento de forma colaborativa entre os pares;
  • O estabelecimento de uma carreira atrativa.

Além disso, precisa-se levar em conta a diversidade do público e dos contextos de forma a garantir a equidade educacional para todos, conseguindo estabelecer um fluxo escolar adequado e o acesso ao Ensino Médio para todos os adolescentes. Deve-se, por exemplo, utilizar ferramentas para flexibilizar o currículo e diferenciar os conteúdos para atender a essa diversidade, além de desenvolver competências que preparem os estudantes para outras etapas do ensino, como o técnico e superior. Quando possível, o uso de tecnologias em sala de aula permite às escolas fornecerem um ambiente conectado à realidade dos jovens. Os ambientes de aprendizagem nas instituições também são capazes de gerar espaços culturais e diversificados que incentivem os alunos.

Adicionalmente, é essencial que os professores ofereçam feedbacks aos alunos e seus pais sempre que possível, atendendo a essa diversidade, e da forma mais completa possível.

Enfrentar a discriminação, a violência e o bullying, inclusive entre estudantes e professores, é outro grande desafio nessa etapa de ensino. Uma pesquisa global da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com dados de 2013 e referente a alunos de 11 a 16 anos, põe Brasil no topo de um ranking de violência em escolas. Na pesquisa, 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana.

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Idealmente, o adolescente que termina o Ensino Fundamental e ingressa no Ensino Médio com defasagens educacionais deve ter acesso a tutorias e reforços pedagógicos (assim como no Ensino Fundamental), preferencialmente durante o turno inverso para não desmotivar e agravar a exclusão escolar (assim como no Ensino Fundamental). Além disso, é recomendado que se trabalhe o engajamento das famílias e responsáveis nas escolas para que eles possam acompanhar o desempenho dos filhos e filhas de perto e, se possível, fornecer o suporte necessário em casa. Uma vez que passam a ter maior nível de autonomia nesta fase, os responsáveis podem chegar a pensar que o filho não precisa desse acompanhamento familiar, o que não é verdade.
           

O trabalho iniciado no Ensino Fundamental sobre protagonismo juvenil não pode perder força no Ensino Médio, e a democratização da gestão deve ser utilizada para criar espaços onde os jovens possam ser ouvidos e atuar como agentes transformadores do espaço escolar e do mundo onde vivem.

Mas esse trabalho não depende apenas de gestores de redes e escolas. Os governos devem investir no desenvolvimento de um regime de colaboração de modo que os estudantes possam transitar entre escolas municipais e estaduais sem que sofram impactos negativos em seu aprendizado durante o processo. Por meio da reestruturação escolar sistematizada entre instituições que oferecem os Anos Finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio, é possível criar, deliberadamente, políticas públicas e estratégias pedagógicas que facilitem essa transição.

Todas as iniciativas mencionadas até agora têm o poder de combater o abandono escolar no Ensino Médio, momento no qual muitos jovens assumem responsabilidades profissionais e domiciliares que deveriam, em tese, ser atribuídas a adultos. Muitos deles começam a trabalhar logo nesta idade devido às condições socioeconômicas da família, entrando, por exemplo, no ensino noturno e em modalidades como o EJA. Esta carga de trabalho extra é um grande risco para a qualidade e continuidade do aprendizado com equidade.

Em suma, precisamos definir uma nova identidade para a Educação Básica, especialmente nessa última etapa antes do Ensino Superior, e dar suporte para que os jovens possam exercer sua autonomia com responsabilidade e enxergar no espaço escolar um local emancipador de direitos e sonhos. Para que isso ocorra, é imprescindível que o Estado faça a sua parte, ou seja, que invista na educação e dê continuidade às políticas estruturantes das redes de ensino, sem interrupções partidárias.

Em termos de porcentagem do PIB, o investimento do Brasil em educação (6% em 2014) é maior que a média dos países da OCDE (4,5% em 2013). Porém, isso - equivale a um gasto per capita menor do que a média. Nos Anos Finais e ensino médio, o gasto anual por aluno foi de US$ 4.318 em 2013, enquanto na OCDE, o valor médio atingiu US$ 10.493. Como colocado no Plano Nacional de Educação vigente, precisamos investir mais e melhor, principalmente em setores prioritários da educação, para que possamos realmente alcançar uma educação de qualidade para todos. Afinal, educação de qualidade não é barata e exige muito esforço.

Sem sombra de dúvidas, todas as mudanças e transições sofridas pelos alunos durante o ensino básico criam um ambiente metamórfico, ou seja, um ambiente em constante evolução. Porém, infelizmente, a escola muitas vezes tem dificuldades de se adaptar a essas mudanças e atender às necessidades dos alunos devido ao engessamento da gestão e das políticas públicas. É necessário inovar para chegar ao “chão da escola” e atender enfrentar as crises de aprendizagem com urgência. Precisamos criar, junto aos alunos e professores e todos os grupos de interesse, espaços onde os alunos possam desenvolver suas competências para o novo século.

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