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Teoria da Mudança para alavancar o Ideb

Com o diagnóstico de sua rede realizado, problemas e qualidades ficarão explícitos e será possível identificar urgências e outras questões que precisem de um olhar mais atento, seja na estrutura ou fluxo, ou na aprendizagem dos estudantes, ou na própria gestão. Essas informações, todavia, apenas fornecerão o ponto de partida de sua atuação.

A partir do momento em que você reconhece e cria o senso de urgência para alavancar as mudanças, é necessário descobrir quais ações terão o maior impacto na resolução dos problemas da rede. Cada uma das estratégias existentes deve ser baseada em uma teoria da mudança, ou seja, em uma convicção de que uma ação específica vai gerar uma mudança sistêmica no conhecimento, nas atitudes e/ou nas crenças das pessoas.

Por exemplo, se a sua rede identificasse, por meio do diagnóstico quantitativo e de um questionário enviado às famílias e aos professores, um problema de fluxo onde 15% dos alunos no ensino fundamental II abandonaram a escola durante o último ano letivo, devido à carência de transporte escolar gratuito nas áreas mais longínquas do município (ou seja, um problema de fluxo), então a teoria da mudança seria:

 

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Para pensar na teoria de mudança, uma  framework de ação 4Q’s traz um passo a passo para que você, saiba identificar as melhores ações a serem tomadas diante de cada um dos diversos desafios que enfrentará, após obter clareza sobre as lacunas e gargalos presentes em sua rede.

 

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O primeiro passo a ser tomado é efetuar a análise do problema e do(s) motivo(s) que o geraram, rotulando-o como uma das questões listadas abaixo:

  1. Fluxo (acesso e permanência);
  2. Fluxo e equidade;
  3. Aprendizagem;
  4. Aprendizagem e equidade;
  5. Fluxo e aprendizagem;
  6. Fluxo, aprendizagem e equidade.

Note que desmembramos o problema de fluxo em duas subcategorias, acesso e permanência. Ademais, o problema da equidade estará sempre atrelado a um problema de fluxo (acesso e permanência) e/ou aprendizagem. Isso ocorre porque a equidade é, antes de mais nada, uma questão relativa à acessibilidade da escola a todos os grupos e camadas sociais. Algumas das principais questões que mensuramos, por exemplo, são quanto ao acesso que grupos de diferentes realidades socioeconômicas têm à escola, qual a diferença nos índices de permanência desses grupos na escola, e qual os diferentes níveis de aprendizagem que eles obtêm quando conseguem frequentar instituições de ensino regularmente.

Na segunda etapa, confirmamos a causa do problema por meio de dados qualitativos e quantitativos (quadro 3. “Validação” no framework), ou seja, informações oriundas de questionários, entrevistas e do próprio diagnóstico. É necessário ter certeza de que a causa do problema foi validada tanto por dados quantitativos quanto qualitativos, para então refletir sobre quais estratégias adotar.

Por fim, avaliamos uma ou mais soluções que possam gerar a mudança esperada nos conhecimentos, atitudes e/ou crenças das pessoas (quadro número 4, “Teoria da mudança”).

Para isso, desmembramos a teoria da mudança em duas etapas: uma que descreve a ação proposta como solução para o problema, o “SE”, e outra que descreve a mudança esperada quando a solução proposta for empregada, o “ENTÃO”.

No final do processo, ou seja, quando a proposta for implementada por meio de um projeto ou política pública, os gestores vão avaliar se realmente essa teoria da mudança (que no caso do município referido acima seria a de providenciar o transporte gratuito), cumpriu com o esperado - os alunos evadidos voltam a comparecer à escola. Esse último passo requer que o gestor e sua equipe revalidem o problema e efetuem todo o processo de avaliação novamente, incluindo a reavaliação dos dados e a proposição de uma nova ação para mudança, até que o problema seja completamente superado.

 

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Desta forma, é imprescindível que os problemas de fluxo, aprendizagem e/ou equidade sejam diagnosticados da forma correta, pois a estratégia e ação só surtirão os efeitos desejados se forem voltadas para as verdadeiras causas que se visa a solucionar, seja na comunidade ou na escola. Por isso, destacamos a importância da validação da causa do problema por meio de dados. Se o problema for diagnosticado erroneamente, a estratégia adotada, muito provavelmente, não irá solucionar o problema, além de, possivelmente, gerar outros transtornos.

Além disso, é imprescindível que você e sua equipe estejam cientes e confiantes nas suposições que embasam cada estratégia tomada, para que se tenha clareza sobre a capacidade de entrega de resultados. Isto é, não se pode atribuir a falha no alcance de uma meta à uma política ou programa sem antes verificar os processos e suposições que foram consideradas em torno de cada etapa de execução, entre a definição do problema, sua validação e a estratégia proposta para solucionar o problema.

As suposições que embasam as etapas iniciais da solução de problemas podem estar atreladas à qualidade dos dados gerados pelo diagnóstico. Quando validamos um problema por meio dos dados, estamos supondo, por exemplo, que todas as etapas de coletas de dados foram conduzidas da forma correta, prezando pela sua veracidade e autenticidade.

Já com relação às suposições em torno da teoria da mudança, é importante que você e sua equipe estejam cientes de quais são as suposições necessárias para que esses resultados realmente ocorram. No exemplo citado sobre abandono e transporte escolar, os gestores provavelmente iriam supor que os ônibus escolares da prefeitura seriam entregues no prazo estipulado, que eles passariam nas residências e nas escolas nos horários corretos e que haveria verba suficiente para contratação de motoristas, combustível, manutenção, entre outros.

As suposições estão sempre muito associadas aos processos de implementação e devem ser monitoradas para que a política pública e a mudança realmente ocorram. Em suma, as suposições devem ser explicitadas com o auxílio de toda a equipe para que eventuais erros originados em suposições infundadas possam ser mitigados. Abaixo, apresentamos uma tabela para que você e sua equipe possam explicitar as suposições em cada etapa.

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Considerados todos esses pontos sobre como definir e escolher estratégias para a mudança, vamos agora tratar das “alavancas da mudança em educação”, as quais são baseadas em quatro grandes dimensões: padrões e avaliações, currículo e instrução, professores e capacitação, ambientes de aprendizagem e liderança. Esses são os insumos sobre os quais os gestores e legisladores têm maior poder de controle para alavancar os processos de acesso, permanência e aprendizagem na escola e, portanto, são considerados peças-chave para a transformação educacional.

Embora fatores externos às escolas, como a própria escolaridade dos pais, por exemplo, influenciem fortemente a aprendizagem dos alunos, as alavancas de mudança, sobre as quais os governantes e gestores educacionais têm grande poder de gestão, oferecem suportes essenciais para a aprendizagem e equidade.

 

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