Voltar
Desafio

Saúde Pública para Pessoas em Situação de Rua

Sabemos hoje, através de pesquisas oficiais, que as condições físicas e mentais da população de rua são bastante fragilizadas – especialmente quando se trata daqueles que estão há um tempo considerável nesta situação. Diversos tipos de doenças atingem estes indivíduos, contudo, as doenças mentais são agravantes desta situação e podem ser consideradas como os maiores problemas de saúde pública desta condição em específico.

O quadro das doenças mentais engloba condições como a dependência de substancias psicoativas, neuroses e psicoses. Alguns estudiosos da área afirmam que a grande maioria das pessoas que vivem nas ruas possuem ao menos algum tipo de sofrimento psíquico.¹

Entre todas as doenças, a depressão desponta como a condição mais frequente. Uma pesquisa recente feita pela Prefeitura de São Paulo em 2016 afirma que 3 em cada 10 pessoas em situação de rua sofrem de depressão, recorrendo ao álcool ou a drogas ilícitas para lidar com suas questões emocionais.  Sobre a questão da saúde nas ruas de São Paulo, a pesquisa ainda constatou que:

 

2

Fonte: Prefeitura de São Paulo.

 

Além da condição psicológica, é possível mencionar também outras doenças recorrentes como: Aids, doenças sexualmente transmissíveis, tuberculose (esta aparecendo especialmente como doença oportunista em portadores de HIV), doenças de pele, doenças respiratórias e outros tipos de doença. A respeito destas estimativas gerais de saúde, em 2008 o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome concluiu que: 

 

j

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

 

Observa-se hoje que em grande parte dos municípios, os serviços oferecidos não estão adequados às necessidades das pessoas em situação de rua. Um exemplo que evidencia isso com mais clareza é a necessidade de comprovação de residência, requerido por serviços de saúde que trabalham a partir de bases territoriais de grandes cidades. Ainda que supostamente ofertados para a população geral, diversos serviços de saúde não acolhem ou buscam ativamente o público das ruas.²

Os tratamentos de diversas doenças que acometem estes indivíduos – como é o caso da Aids e da tuberculose – exigem condições de vida preservadas que não são alcançáveis para quem vive nas ruas. Com a dificuldade de se adaptarem às mais diversas exigências a fim de receberem tratamento adequado, os quadros de enfermidade tendem a piorar, infectando outras pessoas ou até mesmo morrendo nas ruas.

Entre outras dificuldades que dizem respeito ao acesso à saúde para estas pessoas estão o preconceito e discriminação com essa população. Em muitos centros de saúde existem, hoje, exigências e comportamentos profissionais questionáveis para o contexto destas pessoas atendidas, como: tomar banho antes do atendimento, a presença de um acompanhante e negativa em realizar algum procedimento pelo risco de contaminação.

O uso constante de álcool e drogas são apresentados como uma realidade do cotidiano das ruas, tendo papel ativo na minimização da fome e do frio e na socialização com outras pessoas nas mesmas circunstâncias. Estes representam dimensões culturais desta realidade e seu tratamento é um desafio, uma vez que as crises de abstinência não são acompanhadas da estrutura necessária para findar o vício.

Mulheres grávidas possuem um apelo particular na questão da saúde, uma vez que há um grande risco de mortalidade por desnutrição ou outras doenças respiratórias.

Ademais, podem ser consideradas outras adversidades enfrentadas: o fato de que indivíduos alcoolizados são frequentes vítimas de atropelamentos e o fato de que portadores de deficiência que vivem nas ruas muitas vezes não contam com acessibilidade nos locais de atendimento. 

Para combater a falta de acessibilidade destes indivíduos aos serviços de saúde, o Governo Federal criou, em 2013, o Plano Operativo para Implementação de Ações em Saúde da População em Situação de Rua. Este é divido em diferentes eixos e tem como objetivos gerais garantir o acesso destas pessoas aos serviços de saúde, bem como reduzir os riscos de saúde relacionados com o trabalho e condições de vida das pessoas que vivem nas ruas. Além disso, visualiza a melhoria dos indicadores de saúde e qualidade de vida destas pessoas.

Dividido em 5 diferentes eixos, a estratégia quer implementar equipes de Consultórios na Rua (iniciativa que atende pessoas em situação de vulnerabilidade) e capacitar equipes de urgência e emergência para prestar atendimentos a estas pessoas. Com a finalidade de tratar doenças infecciosas, o projeto idealiza a disposição de equipes capazes de supervisionar o controle destas doenças, reduzindo a incidência de tuberculose, DSTs e HIV neste grupo em específico.

Voltar