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Desafio

A Relação entre Saúde Pública e Saneamento Básico

A relação entre a saúde pública e o saneamento básico municipal é tão ampla que a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que, para cada dólar investido em água e saneamento, é possível economizar 4,3 dólares de custo em saúde. 

Esta afirmação constatou-se a partir da premissa de que a ausência de serviços de água potável, coleta e tratamento de esgoto podem acentuar a propagação de doenças que são facilmente controláveis em regiões saneadas.

Segundo o IBGE, no ano de 2017, 34,7% dos municípios brasileiros afirmaram saber de epidemias ou endemias de doenças diretamente ligadas com o saneamento básico. Dentre as doenças mais observadas estão a dengue (mencionada por 26,9% dos municípios), zika (citada por 14,6% dos municípios brasileiros e chikunguya (mencionada por 17,2% dos municípios em território nacional). 

 

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Ainda segundo a OMS, a insalubridade de localidades pode ser considerada a responsável pela morte de 1,7 milhões de crianças todos os anos. Destes 1,7 milhões de óbitos anuais, ao menos 361 mil podem ser diretamente relacionados com diarreia causada por falta de água potável, esgoto e higiene.

O saneamento básico é uma questão problemática em escala global. Estimou-se, em 2017, que 2 bilhões de pessoas consumiam água contaminada por materiais fecais ao redor do mundo.

Para ilustrar os riscos e ameaças de um saneamento básico deficiente, abaixo estão algumas doenças referidas pelo Tera Ambiental como conseqüencias da ausência ou insuficiência de saneamento básico nos municípios:

Além das doenças mencionadas, a ameaça da dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, é recorrente nos estados da região sudeste do país. Só em 2018, o sudeste representou 43,3% do total dos casos reportados, seguido pelas regiões centro-oeste (26,4%), região norte (11,2%), região nordeste (9,7%) e região sul (9,4%). Outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti são zika vírus e chikungunya.

 

O caso de Ananindeua, no Pará

O município de Ananindeua, situado na Região Metropolitana de Belém, com população estimada em 516.057 habitantes, oferece menos de 1% de coleta de esgoto nas residências dos cidadãos locais. Ainda, estima-se que apenas 26,89% do serviço de abastecimento de água tratada seja ofertado aos habitantes. As informações vieram do Instituto Trata Brasil, que também constatou que Ananindeua possuía o pior índice de saneamento básico do Brasil. 

O caso chamou atenção, sobretudo, por conta do alarmante número de interações registradas por diarreia em 2011: foram 904 interações pela enfermidade para cada 100 mil habitantes. Em 2012 os índices tornaram-se ainda mais estarrecedores: a cidade chegou no marco de 1210 pessoas internadas por diarreia para cada 100 mil habitantes.

Compreende-se, a partir do caso da cidade de Ananindeua, que o oferecimento de saneamento básico para todos os segmentos da população não apenas incrementa a qualidade de vida local, como também reduz o uso de recursos públicos com saúde pública. 

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