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Desafio

Saneamento Básico e Poluição Hídrica

A poluição hídrica, caracterizada pela inserção de qualquer matéria que modifique as propriedades de um ambiente aquático, é um fator problemático que modifica o bem-estar da população. Podem ser identificados como os principais responsáveis desta espécie de poluição os efluentes industriais, agrícolas, comerciais, esgotos domésticos e resíduos sólidos. Segundo o portal Água Htz, a poluição das águas pode ser dividida em três grupos:

 

Este tipo de poluição danifica e compromete a qualidade de vida de diversas espécies de animais e vegetais, além de afetar a qualidade das águas superficiais e subterrâneas ao redor do mundo. Trata-se de um problema de alta gravidade, uma vez que a água, apesar de ser um recurso renovável, pode tornar-se cada vez mais escassa. Da água disponível da terra, apenas 2,5% corresponde à água doce, enquanto 69% está no estado sólido e encontra-se em geleiras e icebergs.

Com o objetivo de promover a despoluição hídrica em municípios, diversas localidades ao redor do mundo investiram alto na infraestrutura necessária para efetivar a ação. Contudo, nem todas as práticas implementadas tiveram êxito: fatores políticos – como a falta de colaboração das autoridades das cidades envolvidas em uma mesma procedência hídrica – muito contribuíram para o insucesso do projeto.

Abaixo estão mencionadas alguns dos experimentos de despoluição mais conhecidos no Brasil e no mundo:

 

Despoluição do Rio Tietê (São Paulo, Brasil)

Eficácia do projeto: Baixa.

O Rio Tietê, reconhecido nacionalmente como um dos rios mais degradados do país, encontra-se na cidade de São Paulo. Historiadores apontam que a poluição em massa do rio teve início na década de 20 com a urbanização intensiva da cidade, construindo pistas de carro retas nas margens do rio.

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Foto: TripAdvisor.

Com o turismo tradicional do Tietê comprometido, a população local parou de fazer visitações e a região acabou tornando-se uma espécie de depósito de lixo. Segundo levantamentos da ONG SOS Mata Atlântica, mancha de poluição presente no rio se estende em 130km e a oxigenação do rio é de praticamente 0%.¹

Embora o projeto de despoluição do rio seja antigo – teve início em 1992 com financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) – Tietê segue sendo um dos rios mais poluídos do mundo. Como dificuldade maior, aponta-se a construção da rede de coleta de esgoto que abranja toda sua extensão e leve a latrina para às estações de tratamento. Sem a rede de coleta adequada, o esgoto produzido pela população cai nos córregos que vão até o Tietê.

Uma vez que o rio abrange 34 municípios, seria necessária uma ação conjunta que contasse com a colaboração de todas as prefeituras envolvidas. Sem esta cooperação política, o projeto de despoluição do rio torna-se inviável.

 

Despoluição do Rio Tâmisa (Londres, Inglaterra)

Eficácia do projeto: Alta.

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Foto: London Tours.

No século XIX, o Rio Tâmisa era popularmente conhecido como “O Grande Fedor” e foi decretado como biologicamente morto em 1957. Para reverter o quadro, foi construído um sistema de captação de esgoto (solução vista como insuficiente anos depois, uma vez que o crescimento populacional não acompanhava a metodologia criada) e, posteriormente, ampliado o número de estações de tratamento de esgoto na cidade.

Atualmente, dois barcos percorrem o Tâmisa de segunda a sexta e retiram mais de 30 toneladas de lixo por dia. Para auxiliar no processo, câmeras de vídeo, radares e sonares informam a localização do lixo. Pode-se remeter à alta eficácia do projeto de despoluição do rio aos constantes investimentos no tratamento da água da cidade e no sistema de esgotos existente. 

Com a percepção de que o Tâmisa é essencial para a vida da capital britânica, a despoluição do Rio Tâmisa é contínua e acompanha o crescimento populacional da cidade.

 

Despoluição da Baía de Guanabara (Rio de Janeiro, Brasil)

Eficácia do projeto: Baixa.

A Baía de Guanabara possui níveis preocupantes de poluição e é localizada no Rio de Janeiro, tendo 15 municípios em seu entorno. Destes 15, apenas a cidade de Niterói possui um tratamento de esgoto satisfatório. A precária gestão de resíduos sólidos da região também auxilia para o aumento da poluição da baia. 

Como causas apontadas para a crescente poluição estão a destruição dos ecossistemas periféricos à baia, os crescimentos industriais e populacionais da região, a poluição em excesso, a utilização descontrolada do solo e efeitos adversos em termos de assoreamento, as inundações, sedimentações de fundo e deslizamentos de terra.

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Foto: Mar Sem Fim.

A exposição da problemática envolvida na poluição da baia teve início em 1992, com a conferência do Rio 92. Na época, o Rio contou com investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão). A iniciativa, chamada Programa de Despoluição da Guanabara, não teve sua meta alcançada. 

Mas foi em 2009, ano qual o Rio foi escolhido como sede das Olimpíadas de 2016, que a baía passou a figurar a mídia internacional como um exemplo negativo de poluição. O governo fluminense fez um empréstimo de cerca de R$ 1,2 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento para sediar os jogos e estipulou uma meta de 80% de despoluição de Guanabara – meta também não atingida em 2016. 

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