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Desafio

Índices globais e nacionais do reaproveitamento

Apesar da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a reciclagem no Brasil possui um desempenho inferior ao âmbito externo, tendo uma média 1,062 kg de resíduos sólidos produzidos por dia por cada cidadão. 

Anualmente, o Brasil produz 79,9 milhões de toneladas de resíduos sólidos – em contrapartida, recicla apenas 3% destes. Segundo dados levantados pelo Ministério do Meio Ambiente através da Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima-se que o Brasil perca cerca de R$ 8 bilhões por ano por não reciclar os resíduos sólidos e destiná-los aos aterros e lixões das cidades.

A imagem abaixo mostra uma série de índices que apontam como funciona a reciclagem no Brasil:

 

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Fonte: EcoD.

 

Os índices da reciclagem no mundo

No âmbito externo torna-se possível dizer que a situação da reciclagem demonstra desempenho distinto. Quando comparada ao Brasil a Alemanha, primeiro lugar do ranking internacional de coleta seletiva de lixo, recicla 53,1% a mais do que o país.

Os motivos pelos quais a Alemanha desponta em primeiro lugar nesta colocação são diversos, mas a prática pode ser remetida ao fato de que a reciclagem é lei no país, sendo instituída formalmente em 1972. Segundo a legislação alemã, o cidadão que não respeitar a lei da reciclagem pode ser submetido a multas.¹

Na imagem abaixo é possível visualizar quais são os 5 países que mais reciclam no mundo:
 

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Fonte: Fórum Econômico Mundial (2017).

 

Entre os cinco maiores recicladores do mundo, quatro encontram-se na Europa. Dos quatro, três pertencem à União Europeia, instituição qual os caminhos da sustentabilidade de resíduos sólidos estão sendo frequentemente redesenhados. Recentemente, a União Europeia observou que o descarte de veículos usados representavam cerca de 10% de todo o lixo produzido no grupo e passou a investir arduamente no que o descarte destes seja consciente.

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Foto: Estocolmo, a capital da Suécia.*

Países do grupo como a Suécia possuem alta produção de lixo. Em consequência disso, o governo do país encara a reciclagem como prioridade em suas políticas. Em Estocolmo, a capital, todos os domicílios possuem um sistema de coleta seletiva qual uma rede de tubos conduzem os resíduos diretamente à área de coleta. 

Nos Estados Unidos, a cidade de São Francisco se destaca pela sustentabilidade das políticas referentes ao descarte do lixo. Em 2011, o município possuía uma taxa de reciclagem de cerca de 72% e conta com uma ambiciosa meta de lixo zero até 2020. Implantada desde 1996, a política de não tolerância sobre descarte inadequado de resíduos sólidos teve um saldo positivo: 2,7 milhões de metros cúbicos que seriam usados para aterros sanitários foram salvos e 600 mil metros cúbicos de adubo orgânico foram produzidos. Assim como a Alemanha, a cidade de São Francisco estipulou multas para os cidadãos que não respeitam a lei de descarte de lixo. 

Além da proposta de conscientização, a cidade de São Francisco apostou na tecnologia para solucionar o problema do descarte consciente de resíduos sólidos. Em uma parceria com as empresas San Francisco Goodwill e Frog, a cidade desenvolveu contêineres chamados de goBin. Os containers goBin dispõe de sensores que detectam quando o lixo está cheio e notificam a empresa responsável para fazer a coleta.

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Foto: São Francisco, nos Estados Unidos.

Os índices trazidos aliados aos diferentes níveis quais as políticas públicas acerca do tópico são encaradas evidenciam uma discrepância eloquente entre a gestão de resíduos sólidos do Brasil e do mundo.

A partir dos dados trazidos, podemos observar que enquanto regiões externas implementaram suas leis sobre resíduos sólidos há mais de quinze anos atrás, o Brasil passou a se preocupar categoricamente em um plano nacional apenas em 2010 com a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Com as constantes prorrogações dos prazos estipulados pelo PNRS, o país fica para trás progressivamente e torna-se cada vez mais inferior aos demais exemplos, explicitando uma ausência de austeridade política acerca do tema.

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