Voltar
Desafio

Boas Práticas | Housing First

+ Este artigo foi traduzido do site do Australian Housing and Urban Research Institute.

 

O modelo do Housing First é uma resposta estratégica às pessoas em situação de rua que prioriza habitações permanentes e estáveis. A iniciativa começou nos Estados Unidos na década de 1990 e o modelo foi adotado por vários países europeus e também pelo Canadá. Recentemente o governo da Nova Zelândia anunciou um orçamento para políticas para desabrigados (cerca de 63,4 milhões de dólares australianos) lançados para programas da Housing First.

 

Como funciona o Housing First?

O modelo do Housing First prioriza habitações seguras e permanentes como políticas públicas para pessoas que vivem em situação de rua. Uma vez que a moradia esteja garantida, uma equipe multidisciplinar de trabalhadores de apoio pode atender a necessidades destas pessoas por meio de serviços –  como aconselhamento sobre drogas e álcool ou tratamento de saúde mental.

No entanto, o envolvimento de um indivíduo com esses serviços de suporte não é primordial para que este mantenha sua acomodação. Cada indivíduo é auxiliado a sustentar sua moradia à medida que trabalha para sua recuperação e reintegração na comunidade em seu próprio ritmo. O Housing First foi predominantemente projetado para ajudar aqueles que estão vivendo em condições precárias de vida.

Embora exista alguma variedade na forma como o modelo foi adotado por diferentes países, o princípio orientador do Housing First é que a moradia segura deve ser rapidamente fornecida antes de tudo. O programa é um contraste com outros modelos, que condicionam a oferta de moradia à exigência que os indivíduos se abstenham do uso de álcool ou drogas, ou cumpram programas de saúde mental para receberem suas casas. Tais abordagens podem tornar difícil para as pessoas que vivem em situação de rua serem consideradas suficiente qualificadas para receberem suas casas.

 

Como o Housing First começou?

A iniciativa começou nos Estados Unidos no início dos anos 90. No país, cada moradia do Housing First é administrada por uma organização sem fins lucrativos, garantindo que as mensalidades de manutenção sejam pagas a tempo e que as casas sejam mantidas. Os lares selecionados estão dispersos por bairros e comunidades e não são identificáveis como diferentes daqueles que os rodeiam. Isso significa que as pessoas estigmatizadas e vulneráveis não são colocadas próximas umas às outras, o que, segundo pesquisas adicionais, reduziu os percentuais de revenda destas habitações.

 

Housing First teve sucesso em acabar com a falta de moradia?

Um relatório publicado em 2012 examinou os programas do Housing First dos Estados Unidos e descobriu que eles conseguiram manter e reter as acomodações para pessoas anteriormente desabrigadas. Demais pesquisas compararam os resultados de pessoas que usam serviços tradicionais de habitação e daqueles que usam o programa Housing First. A pesquisa constatou que 88% das pessoas no programa Housing First retiveram sua moradia por dois anos, em comparação a 47% de outros programas. ¹

As avaliações dos programas europeus, por sua vez, estimaram resultados que igualam – e até mesmo superaram – o sucesso alcançado na América do Norte. Esta estimativa foi feita através dos indicadores de habitação, saúde pública e integração social para pessoas vulneráveis – como é o caso das pessoas em situação de rua.

Os programas do Housing First também pode significar uma redução nos gastos do governo e da sociedade civil. Dados de um programa do Housing First no Reino Unido descobriram que abrigar um sem-teto custa 9.600 libras por pessoa por ano (excluindo aluguel), valor que representava 1.000 libras anuais a menos do que colocar a pessoa em um abrigo – e quase 8.000 libras menos do que colocá-la em programas assistenciais de alta intensidade.

Da mesma forma, sabe-se que fornecer habitação para pessoas desabrigadas (embora não necessariamente através do Housing First) economizou, na Austrália, 4.846 dólares australianos da saúde pública por cada pessoa por ano no período 2009-12 –  principalmente em hospitais e cuidados psiquiátricos.

Voltar