Portuguese English French Spanish
Voltar
Temas

O Impacto das Drogas nas Cidades

O Brasil é, atualmente, um dos países em escala global que mais sofrem com as drogas e com o comércio ilegal relacionado a estas. Este fator aumenta expressivamente a criminalidade de municípios brasileiros e induz à expansão de índices relacionados, tal qual o homicídio. O tráfico de drogas pode ser considerado um dos maiores fatores para a oneração da segurança pública do país, uma vez que movimenta numerosos recursos para o combate e apaziguamento deste.

Segundo matéria do Jornal Nexo, a problemática do tráfico no Brasil deve-se, em grande parte, pela produção massiva de drogas por parte de países vizinhos. Grande parte das drogas consumidas e vendidas para o exterior provem de países externos da América Latina: grande parte da maconha é produzida no Paraguai, tendo um contingente plantado em território nacional. A cocaína, por sua vez, origina da Colômbia, Bolívia e Peru. O país serve, então como passadiço de drogas que vão para localidades da Europa e da Ásia.

A mercadoria entra no território por meio de caminhões e aviões, saindo, na maior parte, em contêineres de navios. Um percentual desta fica no país e alimenta a demanda interna. 

Dentre as drogas mais utilizadas pela população brasileira, o crack protagoniza os cenários referentes ao uso de drogas. Apesar de não ser a droga mais utilizada pela população geral do país, é a droga mais consumida por camadas pobres da população. Um relatório do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas realizado em 2012 pela Unifesp aponta o Brasil como responsável por 20% do consumo mundial de crack, sendo o maior mercado deste segmento no mundo.

Historicamente, a relação entre o estado brasileiro e as drogas pode ser estabelecido a partir destes marcos legislativos:

 

1

 

1

Fonte: Senado Federal.

 

A criminalidade envolta no tráfico de drogas

Este problema pode ser considerado um aspecto de segurança pública à medida que afeta os índices de criminalidade em diferentes localidades do país. No estado do Rio Grande do Norte, por exemplo, o ano de 2017 representou uma marca histórica de duas mil mortes por homicídio em menos de um ano; destes, considera-se que 78% dos assassinatos estejam relacionados com o tráfico de drogas e disputas entre facções criminosas que fomentam este comércio. 

Dentre as maiores facções criminosas do país, destacam-se o PCC (Primeiro Comando Capital) originado em São Paulo; o Comando Vermelho, grupo criminoso do Rio de Janeiro e a Família do Norte, organização que atua no norte do país, sobretudo em Roraima, Amazonas e Pará. Além destes primeiros grandes grupos, estima-se que existam cerca de 83 organizações criminosas atuando no país. 

Na disputa entre estas facções, a busca pelo predomínio de rotas de tráfico de drogas e armas é o fator principal para os conflitos. Especialistas afirmam que facções criminosas sejam um subproduto gerado a partir do aprisionamento em massa em localidades do país. Com mais de 700 mil presos, o país representa a terceira maior população carcerária do mundo, proporcionando assim a criação e o aliciamento de organizações criminosas dentro de seus próprios presídios.  

 

O uso de drogas como problema de saúde pública

Considerado um problema de saúde pública ao redor do mundo, o uso de drogas é, segundo especialistas, agravado a partir da proibição destas ao redor do mundo. Segundo informações veiculadas à Universidade de São Paulo (USP), a falta de controle da produção de drogas e sua qualidade cria um mercado ilegal. Este mercado paralelo exige do Estado todo um orçamento direcionado a um aparato bélico e repressivo que poderia ser concentrado em áreas como a educação ou a saúde.

O entendimento, que se desprende da lei, é o de que a dependência química não deve ser comparada a um delito, uma vez que quando ela está presente, atua na capacidade cognitiva do agente o tornando incapaz.¹ 

Estima-se que a cada década o Brasil gaste R$ 9,139 bilhões com o SUS para o tratamento de dependentes químicos do país, denotando assim um expressivo dispêndio relacionado com o uso de drogas da população.

Tratar a dependência química como doença é apontado como um fator fundamental para diminuir a incidência destes episódios. O investimento em campanhas de prevenção ao uso de drogas pode reverter custos futuros para a saúde pública e para o combate à criminalidade.

 

Voltar