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O Brasil e a Violência: O Cenário Nacional da Criminalidade

Dados provenientes do Atlas da Violência 2018, formulado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontam uma série de dados alarmantes acerca da violência no Brasil. A exemplo destes dados, no ano de 2016 foram registrados mais de 62 mil homicídios no país, equivalente a 30,3 homicídios para cada 100 mil habitantes. Este número desponta como 30 vezes maior que as métricas europeias.

O mesmo índice aponta que nos últimos dez anos 553 mil pessoas perderam a vida por homicídio no país. Este número é equivalente a uma métrica de 153 mortes por dia, botando o Brasil entre os países mais perigosos do mundo. Mais especificamente, é possível dizer que o país desponta entre os 14 estados mais violentos do cenário global.

 

Homens, negros e jovens

O perfil da vítima de homicídio é, majoritariamente, jovem (53%), homem (92%) e negro (74,3%). Especialistas apontam que o aumento crescente dos homicídios no país ao aliciamento a facções criminosas e conflitos entre facções rivais.

Demais fatores como a falta de comprometimento do governo com políticas voltadas para o combate à violência, a falha da implementação Estatuto do Desarmamento e a proliferação das drogas em cidades médias e pequenas também são apontadas como causa do aumento destes índices.

Esta parcela marginalizada da população que é mais pobre e com menores índices de escolaridade pode ser considerada um reflexo da insuficiente mobilidade social do país. Ao atender estas condições, o indivíduo é exposto a um cotidiano de violência das periferias e tem, usualmente, poucas oportunidades de ascensão social.

Já o perfil do assassino, segundo a Folha de São Paulo, é consideravelmente mais difícil de ser traçado. A falta de dados oficiais e o baixo índice de conclusão das investigações policiais acerca dos homicídios torna esta estimativa dificultosa. Contudo, os mesmos estudos apontam que o perfil de quem mata é o mesmo de quem morre: homens, negros e jovens.

A mesma publicação ainda aponta que uma parcela expressiva dos homicídios não é feita por criminosos habituais, mas sim por pessoas aparentemente normais que foram motivados a cometer o crime por fatores psicológicos. Conflitos interpessoais como brigas de bar ou de transito, disputas entre vizinhos e crimes passionais figuram os motivos mais registrados.

As datas e horários dos crimes são, em grande parte, entre os sábados e domingos no período das 18h às 4h.

 

A desigualdade social e a criminalidade

Informações do Atlas da Violência apontam, ainda, que as dez cidades com as maiores taxas de assassinato do país têm nove vezes mais pessoas no limiar da extrema pobreza do que as menos violentas. A desigualdade social pode ser vista como um fator determinante para a criminalidade no país. Ainda, a partir de matéria do portal G1:

Segundo o estudo elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta sexta-feira (15), os dez municípios com mais de 100 mil habitantes e com menores taxas de homicídios têm 0,6% de pessoas extremamente pobres, enquanto os dez mais violentos têm 5,5%, em média. No total, o Brasil tinha 309 municípios com mais de 100 mil pessoas em 2016.

A mesma matéria aponta os municípios abaixo como os detentores dos maiores e menores índices de violência no país.


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O panorama negativo a respeito da violência no Brasil indica políticas sociais frágeis acerca da desigualdade social e à prevenção contra a brutalidade. Solucionar a problemática da violência no país é um trabalho contínuo que deve envolver todas as camadas da gestão pública brasileira.  A mobilização conjunta e contínua das esferas públicas e sociedade civil deve ser reavaliada constantemente, a fim de compreender e implementar boas práticas que resultem em uma melhora dos índices de criminalidade e violência em um futuro próximo.

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