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Mapeando e criando coesão nos grupos de interesse

Para que você tenha influência sobre os diversos grupos de interesse que atuam em sua rede, será necessário que você mapeie tanto os grupos como os canais de comunicação entre eles e os canais de comunicação entre eles e você. Na imagem abaixo propomos um Esquema de Mapeamento de Grupos de Interesse para ajudá-lo com esse processo. Com sua equipe, reflita sobre o nível de influência de cada ator ou grupo e como eles podem dar suporte na implementação de uma agenda de educação focada na aprendizagem dos alunos.

Certifique-se de que você consiga nomear e ter no mínimo um contato direto com cada grupo de interesse do sistema educacional.

Finalmente, trabalhe para engajar os grupos para o centro do debate por meio do diálogo e participação.

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No mapeamento acima, temos 5 grupos de interesse, representados por triângulos, cada um com um nível de influência próprio (esse nível vai depender do grupo e de seu poder na rede). Esses grupos estão distribuídos por cinco camadas, cada uma com uma coloração diferente, representando um nível de convergência cada.

  • As setas horizontais indicam os incentivos como forças de convergência que trazem os grupos de interesse para o centro do debate e para o alinhamento da agenda de transformação educacional.  Já as setas verticais indicam as forças de divergência no sistema. Temos, por exemplo, que o grupo 4, de muita influência, está bastante distante do centro de convergência da rede - ou seja, há muita discordância e pouco diálogo com esse grupo - o que é um problema significativo para seu projeto de implementação de uma agenda de educação focada na aprendizagem dos alunos. Já o grupo 5, extremamente influente, está bem próximo ao centro de convergência - ou seja, há bastante sinergia e comunicação entre ele e seus projetos - sendo este um ponto muito positivo.

Lembrando que as relações não são estáticas, mas sempre em movimento, é importante atentar que os grupos sempre vão responder a estímulos e incentivos, positivos e negativos, como incentivos monetários, de reconhecimento profissional e de responsabilização. Quando os grupos se movem para o centro, convergem para a agenda da gestão. Do contrário, divergem, movendo-se para a borda. 

  • Você deverá, portanto, saber como esses grupos respondem a estímulos e mapeá-los ao longo do tempo. planejando ações para que ocorra a convergência. É importante notar que incentivos podem ser considerados positivos ou negativos dependendo do grupo. Por exemplo, uma proposta de responsabilização para professores pode ser interpretada como ameaça para um grupo representativo no sindicato de professores, o que levará a divergência deste grupo com a gestão, mas ser bastante apreciada pelos pais dos alunos, o que poderá levá-los a convergir com a gestão.
  • O nível de energia a ser gasto para o engajamento de grupos localizados nas bordas deve ser bem maior, principalmente se o nível de influência deles for muito grande. É interessante engajar os grupos e contê-los, todos, nas camadas próximas ao centro, mais precisamente entre as camadas 1 e 2. Assim, haverá níveis adequados de coesão para a implementação da agenda.

Na tabela a seguir, listamos alguns grupos de interesse para ajudar a pensar sobre o nível de influência que cada um desses atores possui e seus respectivos níveis de convergência com a gestão. Identifique se há alguma lei ou decreto que regulamenta suas funções e escreva três nomes de pessoas que sejam contatos diretos seus dentro desses grupos. Por fim, escreva o nível de influência e o nível de convergência do grupo para com a gestão. Sinta-se à vontade para retirar e acrescentar grupos de interesse que fazem parte do seu contexto.

convergência

 

Reflexões finais sobre o mapeamento de grupos de interesse

  • Na tabela acima, você é questionado, dentre outras coisas, sobre a existência ou não de um conselho municipal caso você desempenhe a função de prefeito ou secretário municipal ou de um conselho estadual caso você desempenhe a função de secretário estadual ou governador. Nessa tarefa, é importante saber se cada grupo de interesse foi regulamentado por lei e/ou decreto, bem como a sua função legal. Mais importante ainda é saber, no mínimo, o nome de uma pessoa que seja considerada uma conexão direta sua e que acredite na proposta de transformação educacional da gestão.
  • Na tabela, você é desafiado a nomear três pessoas que sejam contatos diretos. Se não for possível fazê-lo, recomendamos que você incorpore isso como uma prática de gestão sua. Aprenda sobre servidores em cada grupo e engaje-os no processo de transformação educacional, trazendo-os para o centro do discurso.
  • O trabalho do conselho municipal deve ser o de monitoramento e eles, teoricamente, devem também ajudar a construir uma ponte com a gestão pública. Também é do seu interesse que os meios de comunicação estejam bem alinhados para que haja fluxos de informações oriundos de “baixo para cima”, de forma que essas informações ajudem na convergência entre a gestão e aqueles representados pelos conselhos. Assim, você cria capital político, por meio da coerência entre os grupos, para implementar os planos educacionais.
  • Porém, para que isso ocorra, os conselhos devem participar de encontros frequentes, e você deve, também, deve atuar nesses movimentos. Deve estar ciente da atuação dos conselhos, da periodicidade das reuniões e dos atores que delas participam. Fazer ligações diretas para as pessoas, visitar escolas, ir a encontros com profissionais da educação, enviar agradecimentos, criar pactos, convenções, convênios. Tudo isso pode ser visto e utilizado como uma estratégia para engajar os grupos, impulsionando sua proposta de transformação educacional.
  • Essa mesma tarefa de engajamento deve ser praticada com outros conselhos, comitês e grupos de interesse como, por exemplo, o Comitê Local do Compromisso (Todos Pela Educação), o Conselho do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

 

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