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Desafio

O Impacto do Saneamento Básico na Desigualdade Social

A crescente desigualdade social brasileira acentua-se com a falta de infraestrutura que atinge, sobretudo, famílias de baixa renda. Por conta da segregação espacial de parte da população urbana, a integração de serviços públicos como saneamento básico torna-se desigual, penalizando assim comunidades periféricas.

Um levantamento do Instituto Trata Brasil de 2016 apontou que nas 100 maiores cidades do país, 90% dos esgotos não tratados estão em área de moradias irregulares do perímetro urbano, uma vez que os serviços de água não abrangem estas áreas dos municípios. O mesmo estudou também apontou que, dentro destas 100 maiores cidades do país, uma parcela do abastecimento de água populacional é proporcionada através de furtos de água.

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Foto: Extra. (2016)

Os impactos obtidos por conta desta negligência pública são inquietantes. Como consequências previstas, é possível mencionar os esgotos correndo a céu aberto, as ligações ilegais que contaminam a água, e o lixo sendo jogado em locais impróprios. Em consequência destas medidas, há o aumento de risco de contaminação de rios e água subterrânea, além do aumento do risco de doenças como diarreias, verminoses, doenças de pele e outras.

A falta de um planejamento urbano que abranja todas as camadas do perímetro urbano penaliza a população de classes de baixa renda, fazendo com que seja acentuada sua situação de desigualdade ao submetê-la a dificuldades recorrentes em sua rotina.

Publicações do IBGE como o Atlas do Saneamento de 2011 apontaram que regiões mais vulneráveis do país, como a região norte, possuíam apenas 3,5% de seus municípios com esgotamento sanitário. A respeito da distribuição de água, a região norte do país foi a que registrou mais altos índices de água não tratada (cerca de 25%). O mesmo índice apontou que 33 cidades brasileiras não tinham abastecimento de água e 2.000 não dispunham rede coletora de esgoto.

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Foto: G1

A respeito da desigualdade social e os impactos que o saneamento básico produz neste aspecto Paulo Barrocas, chefe do Departamento de Saúde Ambiental (Desa) da Ensp/Fiocruz, afirmou: 

"Não se constrói aterro sanitário no Leblon [bairro da zona sul do Rio de Janeiro], se construirá em um local onde as pessoas não conseguem se mobilizar, porque ninguém quer ter um aterro perto de casa. A capacidade de mobilização e de influência dos diferentes grupos da sociedade está diretamente relacionada com o poder socioeconômico que elas têm. E então, às pessoas que tem menos poder, será imposto um maior peso pelos desastres ambientais". 

O Atlas do Saneamento de 2011 também indicou que grandes capitais obtiveram maiores índices de melhora no saneamento básico do que cidades do interior.

Para reverter este quadro, sugere-se que o investimento moradia de camadas periféricas da sociedade sejam repensados, para assim, posteriormente, possibilitar a regularização das habitações e inovação em tecnologia voltada para a gestão do saneamento básico.

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