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Diagnosticando a rede: Metas do Ideb

O primeiro passo a ser dado quando se fala em Ideb e em diagnóstico é ter certeza que todas as pessoas dentro da secretaria e das escolas conhecem e compreendem os componentes de cálculo, ou seja, os indicadores de rendimento e fluxo. Portanto, dependendo do nível de qualificação da equipe da secretaria e das equipes nas escolas, você pode colocar essa formação como uma das etapas para elaboração do diagnóstico.

Com clareza sobre os componentes do Ideb, você, bem como todos os gestores escolares e professores, poderá melhor compreender as metas e criar estratégias para alavancar este e outros indicadores educacionais da maneira mais eficiente possível.

O segundo passo estratégico será observar quais os valores alcançados pelo Ideb em seu município e estado ao longo dos anos, quantas e quais escolas conseguiram atingir as metas projetadas (e identificar o porquê), quais dos componentes de cálculo estão ajudando ou prejudicando o alcance das metas, e qual a média e dispersão dos dados de aprendizagem, fluxo e do próprio Ideb. Esta última análise vai ajudar você e sua equipe a criarem um diagnóstico alinhado com os princípios de equidade que discutimos mais cedo.

Antes de iniciarmos o nosso processo de mapeamento das metas do Ideb queremos expor o fato de que, dos 5570 municípios brasileiros, 4002 e 1499 atingiram a meta para o Ideb em 2015 para os anos iniciais e finais do ensino fundamental, respectivamente. Você sabe se seu município se encontra em um ou ambos desses grupos?

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Mapeando o Ideb

O primeiro arquivo diz respeito à visualização do status-quo, ou seja, tirar várias “fotografias” e fotos “panorâmicas” dos índices alcançados no Ideb pelo seu município e estado e, em seguida, desagregar essas informações para os índices de rendimento e fluxo.

A partir da imagem abaixo, siga os seguintes passos e responda as seguintes perguntas:

  • Em que regiões as escolas com os menores Ideb estão situadas?
  • Qual o perfil socioeconômico dos alunos atendidos por essas unidades de ensino?
  • Quais os programas educacionais e sociais que elas oferecem?
  • Quais escolas apresentaram maior melhora (percentual) ou piora no Ideb?
  • É possível identificar o porquê? Existe algo em comum entre elas?
  • Quais e quantas escolas estão perto de alcançar as metas projetadas para o Ideb?
  • O que falta para que isso ocorra?
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Com a sistematização de informações da tabela acima agora é possível visualizar, por meio de gráficos e cálculos, qual a porcentagem de escolas que atingiram as metas projetadas para o Ideb no seu município e/ou estado, bem como identificar quais escolas atingiram as metas. Também, se saíram extraordinariamente bem comparadas com seus pares, podendo servir como norteadoras para outras instituições dentro do próprio município. Essas escolas que se sobressaem sobre as outras e estão inseridas no mesmo contexto socioeconômico são muitas vezes chamadas de outliers, ou seja, escolas que estão bem acima do padrão.

Além disso, você e sua equipe podem também avaliar o crescimento dos resultados obtidos pelas escolas ao longo do tempo. Por exemplo, uma escola pode ainda estar muito abaixo da meta, mas mesmo assim, ter apresentado um crescimento expressivo em seu Ideb entre 2011, 2013 e 2015. Isso também deve ser considerado um indicador de sucesso, especialmente se for identificado um crescimento contínuo.

De fato, uma escola bem abaixo das metas projetadas e com índices estagnados de aprendizado e fluxo ao longo dos anos deve ser a maior preocupação de todas.

Essa realidade, infelizmente, caracteriza a situação de muitas instituições no ensino médio.

 

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Para que você também tenha conhecimento sobre a realidade de crescimento ou decrescimento das escolas, você deve, novamente, fazer uma análise histórica de cada unidade de ensino, o que poderá ser efetuado com o auxílio da próxima tabela anexada abaixo.

 

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Descobrir qual a proporção de escolas que estão melhorando, piorando e que estão estagnadas em relação aos seus índices de aprendizagem e fluxo deve ser uma prioridade do diagnóstico e para sua gestão. Uma escola boa pode alcançar indicadores exemplares no Ideb e apresentar ganhos percentuais ao longo dos anos pouco expressivos quando comparados às metas estabelecidas. Todavia, isso não necessariamente se caracteriza como falha ou lacuna da rede. Como explicado, o fato de estar abaixo das metas projetadas e a estagnação dos índices que deve caracterizar o maior senso de urgência para uma rede.

Porém, mesmo se seu município e estado obtiveram Ideb acima da meta projetada, você também tem muito trabalho a fazer! Além de garantir que este progresso seja sustentado ao longo do tempo, é aconselhável que o município crie catálogos e documente as metodologias e estratégias utilizadas dentro e fora de sala de aula para alcançar essas metas. Assim, o município terá um repertório de conhecimento que servirá como um indicador de sucesso da própria gestão e daqueles que trabalham com educação, bem como uma possível fonte de conhecimento para futuras gestões, além de outras escolas e municípios.

Por último, é importante ressaltar, também, que um município pode atingir a meta para o Ideb por causa de algumas escolas que se saíram muito bem na Prova Brasil e que possuem indicadores de fluxo ou aprendizado muito bons. Contudo, o mesmo município pode ter escolas que se saíram muito mal em ambos os indicadores de aprendizagem e fluxo em regiões socialmente vulneráveis, por exemplo, o que caracteriza uma dispersão de resultados na rede, e isso deve ser objeto de atuação da gestão, como é apontado na tabela abaixo. 

 

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No exemplo acima dois municípios com 30 escolas cada, representadas pelos pontos no gráfico, obtiveram a média 5 no Ideb. No entanto, a diferença entre as notas de cada escola foi muito mais acentuada no município A que no município B.

Embora a média do município A seja igual à do município B, a dispersão dos resultados no município A é bem maior. Em outras palavras, o município A possui escolas que tiveram notas muito boas e escolas com notas muito baixas, caracterizando iniquidades dentro da rede e uma dispersão de aprendizagem preocupante. As escolas com melhor desempenho trazem a média do município para patamares elevados mesmo o município tendo escolas com o Ideb muito baixo, onde o direito à aprendizagem não é totalmente concretizado.

Já no município B, as 30 escolas obtiveram Ideb mais similares entre si, estando mais agrupadas em torno da média e gerando uma dispersão menor. Em outras palavras, o município B, quando comparado com o A, está providenciando um ambiente mais igualitário de aprendizagem entre as escolas.

A lição é que, para que se tenha equidade em resultados de aprendizagem, é necessário que todas as escolas da rede integrem o processo de transformação educacional e que a dispersão dentro de uma rede seja a menor possível.

É claro que algumas escolas podem se sobressair sobre as outras de forma meritocrática e se tornarem outliers. Esse processo pode ocorrer por vários motivos como, por exemplo, quando diretores desempenham seu papel de liderança, professores planejam suas aulas detalhadamente com outros educadores e se capacitam, etc. Porém, para que esse processo ocorra de forma justa, é preciso assegurar que todas as escolas tenham acesso aos insumos necessários para garantir a igualdade de oportunidades para todos os alunos.

 

Dirigente de educação, você sabe sobre a dispersão de dados de aprendizagem na sua rede? Na opinião daqueles que fazem parte da rede, qual a origem dessa dispersão?

Agora que você já coletou dados referentes às escolas para o diagnóstico, você deve desagregar o Ideb em seus componentes de origem, ou seja, avaliar os fatores que compõem o seu cálculo: fluxo e aprendizagem. Se o Ideb do seu município foi 5,4 em 2015, por exemplo, você terá que entender como o fluxo e a aprendizagem interagem para gerar esse número.  Com isso, você poderá avaliar o que de fato está alavancando ou prejudicando o alcance das metas projetadas para o Ideb: aprendizagem, fluxo ou ambos. Este será o próximo passo do diagnóstico.

Na imagem melhorando o Ideb 3 sugerimos que você escreva os fatores do Ideb do seu município ou estado e que comece a refletir sobre quais desses dois componentes são os maiores responsáveis pela sua nota do Ideb.

Aconselhamos fortemente que o mesmo exercício seja realizado para cada escola como parte do diagnóstico, que você e sua equipe obtenham o desagregado dessas informações para cada unidade de ensino (esses dados também podem ser obtidos para cada escola da rede por meio dos micro dados fornecidos pelo INEP) e que essas informações sejam amplamente discutidas com as escolas para que os educadores e gestores se apropriem delas para a elaboração de estratégias pedagógicas e de gestão.

Mais importante do que isso tudo, no entanto, é a criação de uma cultura onde as escolas também desenvolvam suas próprias metas para o Ideb e que monitorem esse progresso como parte integrante do seu aprendizado. Essa é a dinâmica necessária para a criação de uma gestão por resultados.

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