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GESTÃO ESTRUTURAL | Diagnosticando a Rede: Aprendizado

Para diagnosticar o aprendizado dos alunos para além do Saeb e Anresc, é necessário que você e sua equipe criem avaliações padronizadas para a rede. Saeb e a Prova Brasil, por exemplo, são aplicadas de dois em dois anos e, por isso, não providenciam informações para tomada de decisões de forma regular. De fato, eles apenas disponibilizam dois pontos de informação para auxiliar a tomada de decisões durante os quatro anos de gestão. Para que se possa tomar medidas mais adaptadas ao contexto e às urgências da rede, é aconselhável que se tenha o maior número de pontos de informações possíveis, o que pode ser feito por meio da aplicação de avaliações formativas mais frequentes em paralelo com o Saeb e a Anresc/Prova Brasil.

Muitas pesquisas já mencionam o fato de avaliações robustas terem um efeito positivo sobre os indicadores de aprendizagem dos alunos. Rio de Janeiro e o Estado do Ceará, por exemplo, criaram provas e sistemas de avaliação como o Alfabetiza Rio, Índice de Desenvolvimento da Educação do Rio - IDERIO e o Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica - SPAECE, respectivamente. Por meio dessas avaliações, esses entes federados são capazes de diagnosticar e monitorar crises de aprendizagem com maior frequência, tendo maior clareza sobre a progressão da aprendizagem dos alunos ao longo do tempo, principalmente após a implementação de políticas públicas criadas para alavancar esses resultados.

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A gestão pode gerar esses pontos de informações adicionais sobre aprendizagem por meio de avaliações padrões somativas, bem como avaliações formativas de sala de aula conduzidas pelos próprios professores e desenhadas de forma a estarem alinhadas com o currículo. Com isso, professores podem dar feedbacks contínuos e construtivos para os alunos, escolas podem criar ambientes autônomos com responsabilização para os professores, e redes podem gerir recursos prioritários de olho na progressão das metas.

Embora exista certo ceticismo em relação a sistemas de avaliação externos baseados em testes padronizados, sabemos que objetivo desses exames e dos indicadores gerados por eles não é reprovar ou aprovar alunos ou ignorar complexidades sociais. Pelo contrário, o objetivo é fornecer informações confiáveis e de fácil interpretação aos gestores e ao público sobre o desempenho do sistema como um todo. Estes indicadores permitem, de forma imparcial e objetiva, a comparação tanto de unidades entre si como das unidades ao longo do tempo. Desta forma, possibilitam a identificação daquelas que precisam melhorar seus resultados, e a apontar o que é necessário fazer para promover essa melhoria. Indicadores confiáveis são, portanto, uma das melhores ferramentas à disposição da sociedade para a elaboração e manutenção de políticas públicas eficazes. É a partir deles que são definidos os objetivos, fixadas as metas, comparados os desempenhos regionais, municipais ou das escolas, por exemplo, e avaliada sua evolução ao longo do tempo. Esse monitoramento permite identificar as melhores práticas, melhores métodos pedagógicos e, na outra ponta, os pontos que requerem maior atenção.

Em suma, embora não sejam capazes de mensurar todas as dimensões que gostaríamos, os indicadores padronizados são instrumentos essenciais para a melhoria dos padrões de qualidade e implementação de novas políticas públicas. Cabe a nós utilizá-los com sabedoria e o cuidado de formular os diagnósticos corretos.

Abaixo, apresentamos um guia de como sua gestão pode implementar sistemas de avaliação de exames formativos para mensurar a progressão da aprendizagem, em conjunto com a prova Brasil, como parte integrante do monitoramento e avaliação da rede.

 

Implementando Sistemas de Avaliação 

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Framework de implementação

Arranjo Institucional

  1. Política Pública: Primeiramente, determina-se como um sistema de avaliação formativa que pode ser inserido como uma política pública do município/estado, por meio de lei ou decreto. Para isso, identificam-se os custos para o município, bem como os recursos humanos necessários para a criação e implementação do sistema. Esses e outros fatores irão determinar as periodicidades das avaliações nas escolas: se as avaliações serão amostrais, bem como quais séries serão avaliadas. Em paralelo a este processo, também há o alinhamento, sensibilização e participação dos outros grupos de interesse. Afinal, a política pública é criada PARA os alunos e educadores – professores, coordenadores pedagógicos, etc – e gerida principalmente por esses atores em conjunto com os especialistas no processo de implementação. De fato, os gabinetes do poder Legislativo e Executivo devem apenas dar o ponta pé inicial e monitorar o processo para que este se tome parte da cultura escolar. 
  2. Criação: Após o decreto/lei ser sancionado, inicia-se o processo de criação da escala de proficiência, cuja matrix, teoricamente, deverá estar alinhada com a matriz do SAEB e mensurar as habilidades avaliadas pela Anersc/Prova Brasil em Português e Matemática.

 

Desenvolvimento

  1. Elaboração: Elabora-se a primeira prova diagnóstica com itens em Português e Matemática, podendo ainda haver a inclusão da produção textual para um diagnostico mais robusto. Dependendo da capacidade da rede, essa avaliação pode abranger todos os alunos ou ser amostral. Durante este processo, os dirigentes terão que capacitar os educadores para que eles compreendam os descritores e habilidades avaliadas por cada questão da prova, além, é claro, de providenciar outros tipos de suporte para que eles possam desenvolver didáticas para o desenvolvimento dessas habilidades em sala de aula.

 

Aplicação

  1. Realização: A avaliação é aplicada para os alunos nos anos avaliados (5º e 9º ano, por exemplo). A nota da primeira prova diagnóstica irá compor a linha de base da avaliação.

 

Diagnóstico

  1. Gargalos: A avaliação gera dados sobre as habilidades avaliadas. Os dados irão destacar as habilidades que foram desenvolvidas e que não foram totalmente desenvolvidas pelos alunos durante o semestre e/ou ano letivo, evidenciando os gargalos de aprendizagem dos alunos. Ajudam a identificar, também, os gargalos estruturais, quando vinculamos os resultados à falta de insumos e falhas de processos escolares. Essas informações devem ser sistematizadas o mais rápido possível para a tomada de decisão pelos gestores e pelos professores.

 

Feedback

  1. Capacitação: As escolas e os professores devem receber as informações sistematizadas, se possível, das habilidades desenvolvidas por cada aluno, e utilizá-las de forma a capacitar tanto o educador quanto o estudante, aplicando sequências didáticas específicas para cada uma delas. Em conjunto com análises de campo, as escolas podem receber feedbacks para além da dimensão pedagógica como, por exemplo, feedbacks sobre a dimensão física e estrutural. Ao longo do tempo, esses exames somativos ajudarão a rede a desenvolver sua própria cultura e estratégias para alavancar seus resultados com a gestão por resultados no centro desse processo de aprendizado. 

 

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Quando uma rede pretende implementar seu próprio sistema de avaliação para coletar dados referentes à aprendizagem dos alunos, ela deve passar a seguinte mensagem para os alunos e professores:

 

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Para que isso ocorra, você precisa garantir que todos educadores, professores e coordenadores pedagógicos entendam como avaliar descritores de provas e conectá-los às habilidades que serão avaliadas em cada item da prova. Sem este conhecimento, a avaliação se torna obsoleta.

Os educadores precisam estar cientes do que será trabalhado, ou seja, compreender que tipo de questão avalia determinada habilidade e como desenvolver essa habilidade por meio de didáticas na sala de aula.

De fato, a devolutiva de uma nota do Ideb pode representar pouca coisa quando essa nota não está associada a algo tangível para o professor. Portanto, é necessário que essa nota seja desagregada até a menor unidade de compreensão possível. Por exemplo, quando uma avaliação é criada para monitorar e avaliar o aprendizado dos alunos, a rede pode desenvolver uma plataforma online onde boletins escolares mostram o desempenho de cada escola, bem como os resultados de cada aluno para o professor. Por meio desse diagnóstico e do acesso aos dados, o professor poderá saber quais habilidades obtiveram os menores índices de acerto, compreendendo, pedagogicamente, quais práticas e estratégias de ensino devem ser renovadas.

Essa devolutiva é essencial para a rede pois é por meio dela que são elaboradas oficinas de aprendizado e colaboração entre os professores para que estes possam melhor trabalhar sequências didáticas. Dessa forma, os educadores são capacitados para dar e receber feedbacks construtivos e rápidos sobre práticas de ensino em sala de aula, bem como retornos para os próprios alunos. As escolas precisam se ver nesses resultados e compreendê-los para incorporarem práticas de auto responsabilização e liderarem a mudança em suas próprias unidades de ensino com o acompanhamento da rede.

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