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Desafio

Descarte de lixo e Saúde Pública

Em 2015, um estudo divulgado pela International Solid Wast Association (ISWA) estimou que, no Brasil, o tratamento de doenças veiculadas com a exposição ao lixo descartado inadequadamente custe cerca de US$ 370 milhões ao ano. O valor afeta o sistema de saúde pública do Brasil e foi orçado a partir de 3 mil lixões do país. 

Os números divulgados pela pesquisa da ISWA são preocupantes e apontam uma realidade penosa: o descarte do lixo, quando feito de maneira inadequada, expõe cidadãos a uma série doenças críticas que afetam sua qualidade de vida. Entre as camadas da população mais afetadas encontram-se trabalhadores relacionados com o descarte, como catadores de lixo, garis e demais profissionais do saneamento ambiental.

Há um número crescente de doenças que podem ser adquiridas através do contato direto ou indireto com o lixo. Algumas delas estão listadas no quadro abaixo:

Via Médico Responde.

A propagação de doenças transmitidas pelo lixo pode ser remetida à numerosa quantidade de animais atraída pelos resíduos (bem como baratas, ratos, porcos, moscas e mosquitos) e também pela falta de condições higiênicas adequadas dentro dos espaços de triagem do lixo. Em consequência disso, é possível dizer que as condições insalubres de lixões e até mesmo de aterros sanitários resultam à dependência constante da saúde pública por parte dos cidadãos afetados.

 

O caso Césio-137 e suas consequências

cesio

Um dos casos mais conhecidos em relação ao descarte de lixo inadequado e à dependência deste com a saúde pública é o do césio-137, ocorrido em Goiânia (GO) em 1987. Considerado o segundo maior acidente radioativo do mundo (atrás apenas de Chernobyl) o Acidente Césio-137 causou a morte de 4 pessoas e contaminou outras 249. 

A história do caso inicia no dia 13 de setembro daquele ano, quando dois catadores de lixo reciclável encontraram um aparelho abandonado que era utilizado para radioterapia. O aparelho, vendido posteriormente para um ferro-velho, possuía uma espécie de capsula que despertou a curiosidade de alguns moradores locais por brilhar no escuro. O que a população envolvida não sabia na época era que a cápsula continha 19g de césio, um nocivo isótopo radioativo que pode levar ao óbito.

Mais de trinta anos depois, a população atingida em Goiânia (cerca de 1.143 pacientes) ainda depende do apoio médico e financeiro do Estado de Goiás. A catástrofe causada pelo descarte inadequado de material radioativo traz consequências ao sistema de saúde pública e onera as vítimas e seus descendentes até os dias atuais.   

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