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Diagnosticando a rede: Demanda, oferta e estrutura

A oferta é caracterizada pelo número de matrículas disponíveis e a demanda pelo número de pessoas que solicitam uma vaga nas escolas. Por isso, é importante que você acompanhe os indicadores populacionais do município e do estado, como a taxa de crescimento populacional, em conjunto com os indicadores socioeconômicos.

Com isso você poderá planejar quais demandas deverão ser atendidas a curto e longo prazo, gerenciar os possíveis espaços ociosos das escolas, criar convênios e até mesmo planejar a construção de novos centros educacionais.

Esse gerenciamento poderá garantir que a demanda não seja maior que a oferta (e vice-versa) e que o número de alunos em sala de aula não exceda o número de alunos por turma recomendado pelo Conselho Nacional de Educação.

 

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A questão da oferta e da demanda 

  • Agora, vamos fazer um trabalho de identificação de oferta e demanda para que você saiba dos espaços e infraestrutura oferecidos pelas escolas no seu município ou estado e se elas estão atendendo às necessidades da população. Vale salientar que muitas informações podem ser coletadas com a própria rede, por meio dos dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, pelo Inep (no portal do Ministério da Educação, nas abas referentes ao Censo Escolar) ou no portal do Indicadores Demográficos e Educacionais - IDE, por exemplo.
  • Além de pensar no número de vagas e na projeção de crescimento, é importante que você também acompanhe aspectos importantes da oferta, como a própria infraestrutura das escolas e a oferta de professores na rede.
  • Além disso, é importante estar atento como essa estrutura é utilizada, ou seja, qual o proveito dela: quais são os incentivos oferecidos aos docentes e como está a atuação dos mesmos na sala de aula? É possível melhorar isso? De fato, muitos dos processos educacionais e de aprendizado ocorrem dentro da sala de aula e envolvem o professor. Inclusive, para alunos de nível socioeconômico mais baixo, que nem sempre podem contar com ambientes, apoio e estruturas adequados à complementação da sua educação fora da escola, o que acontece (e o apoio dado à sua aprendizagem) dentro da sala de aula é extremamente importante.
  • Portanto, a trajetória de aprendizagem de um sistema educacional é conduzida quase integralmente pelos professores nas salas de aula. Não surpreendentemente, muitas das políticas educacionais e estratégias para alavancagem de resultados tem que estar voltadas ao professor e sua capacitação.

 

Infraestrutura e garantias do trabalho docente 

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação desenvolveu o Custo Aluno- Qualidade Inicial - CAQi, um indicador que mostra quanto deve ser investido por ano por aluno em cada etapa e modalidade da educação básica. Esse indicador leva em consideração os custos de manutenção das creches, pré-escolas e escolas para que estes equipamentos garantam um padrão mínimo de qualidade para a educação básica, conforme previsto na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e no Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/2014) entre outras leis.

Para realizar este cálculo, o CAQi considera condições como tamanho das turmas, formação, salários e carreira compatíveis com a responsabilidade dos profissionais da educação, instalações, equipamentos e infraestrutura adequados, e insumos como laboratórios, bibliotecas, quadras poliesportivas cobertas, materiais didáticos, entre outros, tudo para cumprir o marco legal brasileiro. Assim, o CAQi contempla as condições e os insumos materiais e humanos mínimos necessários para que os professores consigam ensinar e para que os alunos possam aprender.

Para conhecer mais sobre o indicador e simular quanto custa uma escola de qualidade em seu estado ou município, acesse: http://www.custoalunoqualidade.org.br.

 

A questão do Piso Salarial 

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Tempo de instrução

Talvez o recurso mais importante do qual um professor dispõe é o tempo que ele tem em sala de aula. Afinal, o aprendizado de qualidade depende de que o tempo passado em sala seja aproveitado da melhor maneira possível. O problema é que este é um recurso extremamente escasso e limitado!

De acordo com um estudo publicado pelo Banco Mundial em 2014, alunos brasileiros perdem em média um dia de aula por semana por causa de desperdícios de tempo em sala de aula, como atrasos, excesso de tarefas burocráticas (fazer chamada, distribuir tarefas e trabalhos ou limpar o quadro) e em aulas mal preparadas pelo professor - tempo este que poderia ser gasto com o ensino de conteúdo.

A pesquisadora Barbara Bruns, uma das autoras do estudo, explica que o tempo designado para a interação entre professores e alunos é o momento para qual se destinam, em última instância, todos os investimentos em educação. Dessa forma, se o tempo é mal utilizado, grande parte desse investimento é desperdiçado. E esse problema é especialmente sério na América Latina, onde muitos países gastam uma proporção alta de seu PIB na educação, mas não estão obtendo resultados porque, de acordo com ela, esses investimentos não são usados para aprimorar o tempo que os professores têm disponível para interagir com os alunos.

Bruns afirma que, para mudar esse quadro, é necessário preparar e qualificar o professor para que ele saiba (com muita prática) gerenciar uma sala de aula da forma mais eficiente possível. Além disso, é essencial apoiar os professores ao longo do processo de ensino, oferecendo feedbacks sobre sua performance e estimulando-os a compartilhar conhecimentos e técnicas com seus colegas.

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