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Como tornar cidades acessíveis e inclusivas para PCDs?

Acessibilidade

No Brasil, o Governo Federal destaca as cidades de Salvador (BA), Foz do Iguaçu (PR), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Fortaleza (CE), como algumas das cidades com melhor acessibilidade do país. Estas cidades em específico possuem construções que, em grande parte, respeitam os critérios de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mais precisamente, as obras acessíveis respeitam ao critério NBR 9050, que estabelece que edificações, equipamentos urbanos e mobiliários devem dispor de acessibilidade para a população com deficiência. 

As cidades referenciadas dispõem de grande acessibilidade pelo fato de que as mesmas são consideradas grandes polos de turismo no país. Esta relação, de causa e consequência, é estabelecida a partir da premissa de que lugares acessíveis tradicionalmente atraem mais turistas.

A acessibilidade vai muito além da deficiência e abrange um número muito maior de indivíduos beneficiados: afora pessoas com deficiência, grupos de idosos, gestantes, crianças e pessoas com dificuldade de locomoção também gozam de cidades mais acessíveis.

A cidade de Salvador, por exemplo, é considerada acessível pelo número considerável de guias rebaixadas, rampas e elevadores dentro de seu centro histórico. Já Foz do Iguaçu, considerada pioneira no turismo de inclusão do país, dispõe até mesmo de saltos de paraquedas projetados para pessoas com deficiência física.

A capital do Ceará, por sua vez, passou a investir em esteiras e cadeiras anfíbias para idosos, PCDs e demais pessoas com mobilidade reduzida. Além disso, a cidade também dispõe de academias ao ar livre adaptadas para o uso de cadeirantes. Como herança da Paraolimpíada, o Rio de Janeiro tornou-se também um dos destinos brasileiros mais acessíveis para pessoas com deficiência. O evento proporcionou um investimento de R$ 75 milhões do Ministério do Turismo diretamente em obras de acessibilidade, adaptando estruturas de construções históricas como o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. Já a capital paulista integra a lista de cidades acessíveis por ter mais de 300 atrações adaptadas para pessoas com deficiência, além de metrôs ajustados para este público em específico. O Museu do Futebol, por exemplo, tem visitas guiadas com áudio-guias para cegos, totens em braile, imagens em relevo, piso tátil e acesso para cadeirantes.

Diante destes exemplos ao redor do Brasil, discute-se com frequência quais são as formas de tornar cidades mais acessíveis e inclusivas. Além dos critérios de acessibilidade previstos pela legislação, o município pode adotar e criar medidas inclusivas, terapêuticas e recreativas como:

 

Inclusão

  • Incentivo ao esporte

O esporte é um caminho acessível e de pouca complexidade para integrar pessoas com deficiência na sociedade. Além disso, é um dos grandes responsáveis por melhorar condições cardiovasculares, aprimorar força, agilidade, coordenação motora e equilíbrio do indivíduo.

Para fomentar o esporte para PCDs, a criação de espaços (sendo estes quadras, campos ou pistas) deve respeitar a capacidade de locomoção reduzida de alguns grupos em específico. É recomendado que os espaços sejam ser devidamente limitados e bem sinalizados.

 

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Foto: Ministério do Esporte.

 

O portal de informações Acesso Livre recomenda os seguintes esportes para cada grupo de deficiência: 

 

  • Incentivo a terapias alternativas

A arte terapia, área crescente da psicologia, incentiva a prática de atividades artísticas através do uso de múltiplas linguagens como arte, música, dança e teatro. A arte terapia possibilita um maior autoconhecimento do indivíduo, fazendo com que sua autoestima seja firmada através de uma reconstrução da qualidade de vida. 

No município de Londrina, uma das instituições de ensino local, a Universidade Estadual de Londrina, promoveu uma iniciativa chamada “Seda – o fio que transforma”.  Este projeto ajudava pessoas com necessidades especiais a desenvolverem, através da arte terapia, produtos de alto valor agregado.

O projeto consiste em uma série de oficinas que capacitam os alunos a produzirem, de forma aprimorada, objetos de arte, sobretudo com o uso da seda. Responsáveis pelo desenvolvimento do projeto acreditam que as pessoas com deficiência envolvidas conseguem desenvolver suas capacidades artísticas através da perspectiva visual.

Além do desenvolvimento das competências dos alunos, o projeto também integra estes cidadãos e contribui para a sensação de pertencimento à sociedade.

Já a equoterapia trata-se de uma terapia com cavalos. Esta terapia usualmente é indicada para tratamento de deficiências ou necessidades especiais como: síndrome de Down, paralisia cerebral, derrame, autismo e esclerose múltipla. 

Esta terapia é benéfica à medida em que auxilia o desenvolvimento do afeto da pessoa com deficiência, também estimulando sua sensibilidade tátil, visual e auditiva. Além disso, melhora o tônus muscular, a postura e o equilíbrio, aumentando a autoestima e autoconfiança do PCD que pratica o exercício.

Municípios como Passo do Sobrado, do interior do Rio Grande do Sul, inseriram a equoterapia como uma medida de Assistência Social para pessoas com deficiência da cidade. A Prefeitura local também incentiva que pessoas sem deficiência, mas usuárias do sistema público de saúde do município, usufruam do método. Esta concepção surge a partir da premissa de que a implementação da equoterapia na cidade não é apenas um método terapêutico, como também uma opção extra de lazer para a população.

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