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Desafio

Profissão catador: as condições de vida de quem vive do lixo

Segundo dados trazidos no Censo de 2010 do IBGE, constavam até então 398.348 trabalhadores atuando no ofício de catadores de lixo no Brasil. Formalmente, esta ocupação pode corresponder pelos nomes de coletores de lixo e material reciclável, varredores e afins e também coletores de lixo e material reciclável. A distribuição geográfica destes trabalhadores constava como exemplificado na tabela abaixo:

 

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Fonte: IBGE (2010).

 

Especialistas na área apontam que é possível dividir os catadores em quatro subgrupos. São estes:  

  • Trecheiros: Catadores que vivem entre o percurso de uma cidade e outra catando resíduos como latas para assim possibilitar a compra de alimentos.

  • Catadores de LixãoCatadores que instalados nos lixões e vazadouros que não possuem uma rotina fixa de trabalho. Os catadores de lixão podem ou não ter atividades temporárias em outros segmentos como a construção civil.

  • Catadores Individuais: Os catadores individuais fazem a coleta por conta própria, trabalhando de forma independente. Catadores individuais geralmente percorrem o perímetro urbano puxando carrinhos para armazenar o lixo coletado.

  • Catadores organizados: Catadores organizados são configurados nesta categoria por terem sua profissão estruturada através de cooperativas ou organizações não governamentais.

 

A problemática da profissão

O Brasil é o quinto maior produtor de lixo no mundo e apesar da alta demanda para destinar o lixo ao seu descarte adequado, o salário médio do catador é estimado em cerca de R$ 1.511 mensais. As más condições de vida (obtidas sobretudo por conta da exposição ao lixo e doenças provindas deste) aliam-se ao baixo teto salarial e tornam a profissão um ofício desfavorável para quem a exerce.

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Foto: Blog Marcelo Putisglione (2017).

Uma pesquisa feita pelo Mercado Mineiro em 2015 fez a cotação do quilo de material descartável pago para catadores e estimou que estes precisam juntar cerca de 19 mil latas de refrigerante para receber um salário mínimo. O trabalho braçal que envolve o ofício diariamente é intenso – além de movimentarem carroças em perímetro urbano, os catadores também são responsáveis pelo recolhimento e a triagem dos resíduos sólidos.

 

 

O que eles querem?

Sendo os protagonistas do processo de controle do lixo, os catadores oferecem os serviços de coleta, recuperação e reciclagem em um custo benefício razoável. E suas reivindicações são justas: os catadores querem ser legitimidade por exercerem seus serviços. Há uma série de aspectos que englobam a evolução do ofício. Alguns destes:

 

  1. Infraestrutura

Alguns catadores reivindicam caminhões como parte da infraestrutura que viabiliza a coleta de forma adequada, além de espaço seguro para o armazenamento do lixo coletado. Os equipamentos condizem aos usados para os processos de compactação, agregação e processamento dos resíduos.

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Foto: Portal Vermelho (2017).
  1. Concorrência

Além da infraestrutura, o poder de competição com demais órgãos responsáveis pela gestão de resíduos sólidos mostra-se um fator de interesse para os catadores. Ao ter poder de competição, os catadores teriam acesso aos resíduos coletados e também o direito de concorrer aos contratos de gestão de resíduos sólidos fornecidos pela gestão pública.

  1. Reconhecimento

Os catadores querem, sobretudo, serem reconhecidos por seus serviços prestados. Para que este reconhecimento seja efetivo, os mesmos visam preços justos para os resíduos diariamente coletados e materiais reciclados separados.

 

Como a PNRS contribuiu?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi uma política federal pioneira a um nível internacional na integração de catadores. Através de suas políticas, a PNRS reconheceu um enquadramento jurídico que permitiu que cooperativas relacionadas com a coleta de lixo fossem contratadas formalmente como provedoras de serviço.

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