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O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) seu cálculo e nossas metas

O Ideb foi criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Inep em 2007 e agrega em apenas um indicador dois fatores importantes que constroem, em termos gerais, o nosso conceito de qualidade da educação: o desempenho dos estudantes em exames padrões e o fluxo escolar.

São mensurados por indicadores de aprendizagem extraídos de dois exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica - Saeb — cuja atual estrutura é composta pela Avaliação Nacional da Educação Básica - Aneb, Anresc/Prova Brasil e Avaliação Nacional da Alfabetização - ANA — e de indicadores de aprovação do Censo Escolar, respectivamente.

 

Como calcular o Ideb?

O cálculo do Ideb é o produto do rendimento no Aneb e Aresc/Prova Brasil com o rendimento escolar (nesse caso, o indicador utilizado e a taxa de aprovação escolar, ou seja, o inverso do tempo médio de conclusão), de acordo com a seguinte fórmula:

Cálculo Ideb

A média da proficiência em Língua Portuguesa e Matemática, o primeiro componente do indicador, e padronizada para ficar em uma escala de zero a dez para cada unidade de ensino em determinada edição do exame Aneb e Prova Brasil. Utilizemos a título de exemplo uma média de 6,0, um Ideb relativamente alto para os atuais padrões brasileiros. O segundo componente e um indicador de rendimento baseado na taxa de aprovação dos alunos da escola em determinada etapa de ensino. Portanto, uma escola que obtiver uma média padronizada de nota 6,0 na Anresc/Prova Brasil na 4° série e cujo tempo médio de conclusão para cada serie for de 1 ano alcançará um Ideb igual a 6, visto que 6 x (1÷1) = 6,0. Todavia, se a mesma escola tiver um tempo médio de conclusão igual a 2 anos, o Ideb dessa escola cairá para 3,0 visto que 6 x (1÷2) = 3,0.

Uma vez calculadas as notas, passamos a estabelecer metas, como as descritas no PNE 2014-2024:

Meta n° 7 do PNE 2014-2017: fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb: 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio.”

As metas nacionais demonstram o quanto as escolas, municípios, estados e a União devem trabalhar para alcançarem esse objetivo. Infelizmente, no entanto, ainda estamos longe de alcançar as metas para 2021, principalmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, onde o Brasil anda praticamente estagnado.

Nota Ideb EFI
Nota Ideb EFII
Nota Ideb EM

Fonte: MEC/INEP

Como os gráficos indicam, há muito que fazer! A nota do Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental, mostra um ritmo capaz de alcançar a meta para 2021. Mas para que isso ocorra, era necessário que os entes federados ampliem seus esforços para garantir o financiamento da educação básica, o alcance das metas do PNE referentes à educação na primeira infância, o direito à alfabetização na idade certa e a configuração de políticas que visem ao desenvolvimento de competências e habilidades cognitivas e socioemocionais infantis - que estejam embasadas nas mais recentes evidências sobre desenvolvimento humano. Além disso, é necessário valorizar o docente e garantir melhor formação inicial, de caráter mais profissionalizante —especialmente nas licenciaturas específicas — bem como acesso a formação continuada de qualidade.

E possível notar também, a partir dos gráficos, que o rendimento dos alunos é significativamente prejudicado na passagem para os anos finais do ensino fundamental. Infelizmente, crianças encontram novos desafios durante este período, o que tem impacto significativo na forma como interagem com as escolas. Por exemplo, é durante esse estágio que os alunos passam a ter um professor especialista para cada uma das matérias do currículo, ao invés de apenas um professor generalista. O professor generalista — muitas vezes sendo chamado carinhosamente pelos alunos de “tia/tio” —, por passar mais tempo em contato com sua turma, tem maior facilidade para desenvolver uma relação mais próxima com os alunos nos anos iniciais e, portanto, pode atender de forma mais articulada as suas diferentes demandas.

Para alcançar as metas dos anos finais do ensino fundamental, temos que pensar cuidadosamente sobre os desafios enfrentados pelos alunos e apoiá-los para que possam ingressar no ensino médio sem defasagens educacionais e continuar sua trajetória de aprendizado para a vida! Muitas vezes, práticas pedagógicas ainda adotadas por sistemas de ensino no Brasil, como a reprovação e/ou a aprovação automática, podem tanto ferir o direito à aprendizagem como gerar defasagens educacionais futuras, o que causa um estrangulamento do fluxo e do rendimento.

É um fato preocupante estarmos praticamente estagnados no Ideb do ensino médio durante os últimos dez anos. Essa etapa, sem sombra de dúvidas, se apresenta como a mais desafiadora para o país. De fato, reconhece-se que muitos dos desafios do ensino médio estão associados as práticas pedagógicas e administrativas executadas no ensino fundamental. Por exemplo, de acordo com dados fornecidos pelo MEC em 2012, o primeiro ano do ensino médio era o que apresentava a maior distorção na relação idade-série e menor percentual de aprovação. A partir de dados do Censo de 2014/2015, o Inep relata que o maior percentual de reprovação e evasão da educação básica ocorre também neste período, indicando a existência de um problema de fluxo e aprendizagem ao longo do ensino fundamental.

Por isso, há a necessidade de olhar para a educação de maneira contínua e de promover a cooperação entre os entes federados na construção de políticas para o ensino de forma sustentável, com o intuito de formar alunos que valorizem a aprendizagem ao longo da vida, em qualquer etapa, seja ele o ensino na primeira infância, ensino fundamental I ou II, ensino médio ou superior

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