Voltar
Desafio

Artigo | Tecnologia da Informação na Gestão Pública | Ana Júlia Possamai

Por Ana Júlia Possamai

O emprego de Tecnologias da Informação na gestão pública não é uma novidade. Remonta à década de 1960, à utilização de ferramentas de informática para o armazenamento de dados, à automação de processos, à estruturação de sistemas de pagamentos e de gestão de recursos humanos, entre outros aspectos.

Grande salto teve lugar, contudo, com o desenvolvimento de redes computacionais, principalmente da Internet. Onde antes imperava a utilização local de tecnologias isoladas para a automação de processos existentes e o atendimento das demandas internas de cada órgão (de maneira fragmentada e muitas vezes redundante), passou-se a adotar o redesenho e a racionalização de processos, o compartilhamento de recursos (tecnologias e informações) e o atendimento focado às necessidades do cidadão.

Essa mudança de perspectiva quanto à utilização de Tecnologias da Informação e Comunicação acompanha as reivindicações por mudanças na gestão pública, quais tiveram lugar especialmente nas últimas três décadas. De maneira geral, as TIC têm sido empregadas para responder a demandas por serviços públicos mais eficientes e eficazes, por transparência e prestação de contas à sociedade, bem como por novos espaços de participação no fazer público.

Nesse cenário, iniciativas de governança digital e governo aberto emergem como respostas articuladas com a sociedade (no front-office) e alicerçadas sobre uma nova lógica de contratação, aquisição e atualização de recursos de TI (no back-office). Integração e colaboração passam a ser a tônica não só da governança de TI, mas também da forma como as organizações públicas interagem entre si e com os cidadãos, afetando a governança política e social em uma perspectiva mais ampla.

O resultado projetado é o de um maior compartilhamento de informações, seja para qualificar a tomada de decisão e aprimorar a capacidade de entregar bens e serviços públicos, seja para cocriar serviços e conteúdos de interesse público de maneira inovadora, criativa e colaborativa. Tudo isso em atendimento às mais diversas demandas da população.

Evidentemente, a realização dessas expectativas está ancorada em mudanças institucionais e comportamentais, as quais devem ser construídas de maneira igualmente negociada, articulada e colaborativa. A finalidade destas mudanças é de incluir e fazer representar todos os atores interessados e afetados – sobretudo gestores e servidores públicos. É especialmente nesse sentido que este material demonstra seu valor, uma vez que apresenta experiências capazes de estimular agentes públicos e políticos a adotarem novas perspectivas de gestão, sem desconsiderar a missão, as particularidades e o ethos do serviço público.

a

 

Voltar