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Desafio

Artigo | O desafio do aprendizado compartilhado

Por Fernando Schuler

 

Vivemos um momento difícil para a administração pública. Os governos cresceram demais e perderam capacidade de investimento. Por muito tempo no Brasil a prática da irresponsabilidade fiscal e do endividamento foi corriqueira. Os governos contrataram demais, assumiram responsabilidades sobre a gestão de serviços não prioritários e que poderiam ser conduzidos perfeitamente pelo terceiro setor e pela iniciativa privada.

Da mesma forma cresceu a pressão por parte dos cidadãos-usuários de serviços públicos. Seja pelo aumento da escolaridade, seja pelo acesso pleno à informação, seja pela maior capacidade que as pessoas dispõem hoje de se organizarem e fazerem valer sua voz. O fato é que os governos enfrentam atualmente um inédito grau de fiscalização e controle, por parte da sociedade. Vivemos a era dos “cidadãos críticos”. Isto é bom para a democracia, ainda que possa trazer uma permanente sensação de instabilidade por parte dos governos e sem dúvida um sentido de urgência na formulação e implementação de políticas públicas.

Este quadro representa um enorme desafio. A notícia positiva é que hoje dispomos de amplo conhecimento sobre qualquer aspecto relevante da gestão governamental. Da mesma forma, dispomos de instrumentos jurídicos apropriados para produzir inovações e gerar efetividade na gestão de políticas e serviços públicos.

Neste processo é imprescindível apostar em um processo permanente de aprendizado. Não é mais viável, na alta gestão pública, a antiga ideia de governar recorrendo à “intuição” ou simplesmente à experiência prática do dia a dia. Mesmo as estratégias convencionais de participação da sociedade, via assembleias e consultas diretas, não são mais suficientes, ainda que possam ser relevantes de um ponto de vista democrático. É preciso produzir respostas e gerar efetividade em políticas públicas. É preciso produzir indicadores, avaliar resultados e comparar com o que está sendo feito por outros governos.

É preciso, igualmente, apostar em mecanismos de advocacy. Na representação ativa dos interesses difusos na sociedade, usualmente sub-representados na formulação de políticas públicas, comparativamente a corporações expressando interesses setoriais.  Daí a importância do diálogo com a sociedade e o sentido de um projeto que se dedica a reunir gestores e oportunizar um rico espaço de aprendizado compartilhado, como faz o Programa Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável.

 

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