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Artigo | Blockchain e Smart Contracts: como novas tecnologias podem gerar confiança

Por Guilherme Teixeira | IBM 

Desde que o preço da Bitcoin decolou no fim do ano passado, muito tem se falado sobre o impacto disruptivo de Blockchain, a tecnologia por trás das criptomoedas e cujo o valor vai muito além do mercado especulativo. Por vezes, Blockchain é vista como uma “bala de prata” capaz resolver, de forma automática, rápida e barata, qualquer relação que requer uma autoridade controladora, intermediária entre partes divergentes.

Além disso, Blockchain caminha junto com outro conceito popularizado recentemente: o de Contratos Inteligentes ou Smart Contracts. Antes que possamos contextualizar o uso prático das tecnologias, é preciso entender um pouco do funcionamento básico de ambas.

Blockchain pode ser vista como um registro virtual, distribuído entre diversos computadores que não necessariamente encontram-se fisicamente próximos. Esse registro contém transações, financeiras ou não, entre os participantes, que chegam, automaticamente, a consensos sobre a validade das transações processadas de forma a evitar fraudes. Uma vez validadas, as transações são agrupadas em blocos com o uso de complexos cálculos matemáticos irreversíveis, fazendo com que os blocos e as transações neles contidas não possam ser alterados. Os blocos conectam-se uns aos outros, formando uma corrente capaz de recriar o histórico do bem ou valor transacionado.

Mas como saber, de forma automática, se uma transação é válida ou não? É nesse momento em que o conceito de Contratos Inteligentes, ou Smart Contracts, vem à tona. Contratos Inteligentes são códigos de computadores, escritos de forma a simularem regras do mundo real que definem quando e como transações acontecem. Imaginem, por exemplo, se o valor das parcelas de um carro negociado entre duas pessoas, que não se conhecem, seja automaticamente transferido de uma a outra, mensalmente na data especificada, depois de a identidade e assinatura de ambas serem comprovadas virtualmente, sem necessidade de ida ao cartório, entrega de cheques ou transferências bancárias manuais. Nesse caso, toda a automatização e validação seriam feitas com o uso de Smart Contracts e Blockchain.

Em termos práticos, essas tecnologias são capazes de aperfeiçoar, agilizar e baratear os modelos de negócios atualmente vigentes, fazendo com que bancos, cartórios, órgãos governamentais, agências reguladoras e outras instituições, que hoje tem papel de intermediários, não sejam mais necessários como um meio de geração de confiança.

Para citar alguns exemplos, a ideia de títulos digitais de propriedade já vem sendo aplicada em alguns países da Europa, onde registros de imóveis físicos são substituídos por suas versões digitais, criptografadas, de maneira que falsificação e burocracia para acesso ou mudança de titular fiquem no passado.

Talvez não estamos muito longe do momento em que a tecnologia permita comprovar que verbas públicas vêm sendo utilizadas ao que se propõe, sem desvios. Um registro virtual de fácil acesso, insuscetível a fraudes, tal qual o implementado sobre Blockchain, dá a possibilidade para que governos sejam mais transparentes no que diz respeito ao uso de verbas públicas.

As oportunidades são imensas. Em um país onde as relações entre pessoas e instituições está constantemente abalada, é necessário que se pense em formas de recuperar a integridade e confiança. Por meio do uso de novas tecnologias, podemos avançar em áreas onde, por comodidade e costume, não imaginamos que processos podem se tornar muito mais ágeis e confiáveis, basta que se olhe para frente e que governos, empresas e usuários se unam no apoio ao novo.

 

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